Levantamento da WTT e Agência Bori analisou mais de mil artigos publicados entre 2017 e 2021 e revela potencial inovador de insumos da região em saúde, alimentos e construção sustentável
A biodiversidade amazônica segue no centro das atenções da ciência. Um levantamento realizado pela World-Transforming Technologies (WTT) em parceria com a Agência Bori, divulgado na última sexta-feira (8/09), mostrou que açaí, tucumã e buriti foram os insumos da Amazônia mais presentes em pesquisas científicas entre 2017 e 2021.
O estudo, intitulado “Bioeconomia amazônica: uma navegação pelas fronteiras científicas e potenciais de inovação”, analisou 1.070 artigos científicos publicados na base internacional Web of Science, mapeando as áreas de maior produção acadêmica e os potenciais de aplicação da biodiversidade local.
As áreas que mais se destacaram foram ciência das plantas, ciências ambientais, ciência e tecnologia de alimentos, ecologia e bioquímica molecular. Entre as instituições que mais publicaram estão a Embrapa, Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Museu Paraense Emílio Goeldi, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Diversidade de usos
Além de alimentos funcionais e medicamentos, os estudos apontam para aplicações inovadoras em tecidos, artesanato, redes de pesca, construções sustentáveis e filmes biodegradáveis. Também ganharam destaque insumos como castanha-do-brasil, andiroba, cupuaçu, guaraná, bacaba, piper e aniba.
De acordo com os organizadores, um dos objetivos do levantamento foi dar visibilidade a pesquisas com potencial de transformar a economia da região. Entre os exemplos selecionados estão estudos sobre uso de compostos da floresta no tratamento de câncer, desenvolvimento de novos fármacos e aplicação de saberes tradicionais em terapias de saúde.
Reflexão sobre futuro da bioeconomia
A publicação ainda reúne cinco artigos inéditos de especialistas como Carina Pimenta, Júlia Sekula, Mariana Barrella, Ricardo Abramovay e Tatiana Schor, que discutem os caminhos da bioeconomia para gerar empregos, preservar o meio ambiente e fortalecer a ciência brasileira.
“A biodiversidade amazônica é de uma riqueza extraordinária. Se formos capazes de aplicar ciência a essa riqueza e transformá-la em inovações — produtos e serviços que melhorem a vida das pessoas — os resultados serão fantásticos”, destacou Andre Wongtschowski, gerente de operações da WTT e idealizador do estudo.



