Alta anual é de 2,2%, mas ritmo desacelera com Selic em 15% e inflação de serviços; consumo das famílias sobe 0,5%
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou crescimento de 0,4% no segundo trimestre de 2025 em relação aos três meses anteriores, segundo dados dessazonalizados divulgados pelo IBGE. Na comparação anual, o avanço foi de 2,2%, confirmando uma desaceleração da atividade econômica frente aos trimestres anteriores.
O resultado reflete os efeitos da taxa Selic elevada, atualmente em 15% ao ano, e da inflação persistente no setor de serviços, que têm impactado negativamente setores dependentes de crédito, como a construção civil e parte da indústria de transformação.
Destaques setoriais
Apesar do cenário restritivo, alguns setores apresentaram desempenho expressivo:
- Agropecuária: +10,1% em relação ao segundo trimestre de 2024
- Indústrias extrativas: +8,7%
- Serviços: +0,6% no trimestre (representam cerca de 70% do PIB)
Pela ótica da demanda
- Consumo das famílias: +0,5%
- Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos): –2,2%
- Exportações: +0,7%
- Importações: –2,9%
O consumo das famílias continua sustentado por programas de transferência de renda e pela resiliência do mercado de trabalho, que tem mantido a ocupação e a renda real em crescimento.
Projeção para o ano
Com o resultado do segundo trimestre, o chamado carry-over — efeito estatístico que projeta o crescimento anual com base nos dados acumulados — ficou em 2,3%, indicando que o PIB brasileiro pode encerrar 2025 com crescimento próximo de 2%, caso não haja novos choques econômicos.
A expectativa do mercado financeiro era de uma variação positiva em torno de 0,3%, o que torna o desempenho ligeiramente acima do previsto, embora ainda modesto diante dos desafios macroeconômicos.


