Ferramenta digital será testada por sete meses com foco em capacitação e apoio clínico a profissionais de saúde
O estado do Amazonas foi selecionado como um dos cinco participantes da fase piloto do aplicativo Guia Obstétrico, desenvolvido pelo Hospital Israelita Albert Einstein em parceria com o programa global MSD para Mães. A iniciativa busca reduzir complicações e mortes maternas por meio de conteúdo educativo e suporte à tomada de decisão clínica.
Segundo a coordenadora de projetos do Einstein, Lívia Pedrilio, o Amazonas foi escolhido por apresentar índices elevados de mortalidade materna, superiores à meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), além do engajamento da Secretaria Estadual de Saúde (SES-AM).
Etapas da implementação
A fase piloto terá duração de sete meses, com início previsto para novembro de 2025. O cronograma inclui:
- Um encontro presencial com facilitadores das secretarias estadual e municipais
- Seis sessões virtuais mensais com foco na aplicação prática do app
- Mentoria de projetos voltados à redução de complicações graves, como hemorragias e pré-eclâmpsia
Durante esse período, profissionais e pacientes terão acesso à versão inicial do aplicativo, que traz informações científicas sobre:
- Sinais de alerta
- Diabetes gestacional
- Depressão pós-parto
- Cuidados com gestantes LGBTQIAPN+
A ferramenta também será usada como instrumento de capacitação das equipes locais de saúde.
Interior também será contemplado
O projeto prevê atuação em municípios distantes da capital, respeitando a complexidade logística da região. A seleção das unidades será feita em conjunto com a SES-AM e os municípios participantes.
Cenário preocupante
De acordo com o Painel de Monitoramento da Mortalidade Materna, o Amazonas apresenta uma razão média de 75 mortes por 100 mil nascidos vivos, mais que o dobro da meta nacional. Embora o Brasil tenha registrado queda entre 2023 e 2024, 90% dos óbitos ainda são considerados evitáveis.
A expectativa é que o Guia Obstétrico represente um avanço importante para a saúde pública no estado e se torne uma ferramenta estratégica no enfrentamento da mortalidade materna.



