Bioma já perdeu 18,7% de sua cobertura original e se aproxima do ponto de não retorno; pastagens cresceram 355% e soja ocupa 5,9 milhões de hectares
Uma análise da série histórica do uso do solo na Amazônia, divulgada nesta segunda-feira (15) pelo projeto MapBiomas, revela que o bioma perdeu 52 milhões de hectares de vegetação nativa entre os anos de 1985 e 2024 — o equivalente a 13% do território amazônico, área comparável ao tamanho da França.
Somando-se às perdas anteriores, a Amazônia já teve 18,7% de sua vegetação nativa suprimida, sendo que 15,3% foram convertidos para atividades humanas como pecuária, agricultura, silvicultura e mineração.
“A Amazônia brasileira está se aproximando da faixa de 20% a 25% prevista pela ciência como o possível ponto de não retorno do bioma, a partir do qual a floresta não consegue mais se sustentar”, alerta o pesquisador Bruno Ferreira, do MapBiomas.
Expansão das atividades humanas
- 🌱 Pastagens: cresceram de 12,3 milhões para 56,1 milhões de hectares — alta de 355%
- 🌾 Agricultura: saltou de 180 mil para 7,9 milhões de hectares — crescimento de 44 vezes
- 🌲 Silvicultura: aumentou de 3,2 mil para 352 mil hectares — 110 vezes mais
- ⛏️ Mineração: passou de 26 mil para 444 mil hectares
A vegetação mais afetada foi a formação florestal, com 49,1 milhões de hectares suprimidos, representando 95% do total perdido.
Soja domina agricultura na Amazônia
A lavoura de soja representa 74,4% da área agrícola do bioma, com 5,9 milhões de hectares em 2024. A maior parte dessa expansão ocorreu após 2008, data limite da Moratória da Soja, que proíbe a compra de soja cultivada em áreas desmatadas após esse ano.
- 🌱 4,3 milhões de hectares foram ocupados após 2008
- 🌳 769 mil hectares vieram diretamente de áreas de floresta convertidas
Sinais de ressecamento e perda de áreas úmidas
O estudo também aponta uma redução de 2,6 milhões de hectares de superfícies cobertas por água, como florestas alagáveis, apicuns e mangues. O fenômeno se intensificou na última década, que concentrou oito dos dez anos mais secos da série histórica.
Regeneração e ações do governo
Em 2024, 2% da vegetação remanescente é considerada secundária, totalizando 6,9 milhões de hectares em processo de regeneração. No último ano, 88% do desmatamento ocorreu em vegetação primária e 12% em áreas em regeneração.
O Ministério do Meio Ambiente tem adotado medidas para conter o avanço do desmatamento, como:
- Criação da Comissão Interministerial de Prevenção e Controle do Desmatamento (CIPPCD)
- Monitoramento em tempo real via DETER/INPE, com redução de 45,7% nos alertas entre 2023 e 2024
- Reativação do Fundo Amazônia
- Investimento de R$ 318,5 milhões em fiscalização, drones e helicópteros
A meta do governo é zerar o desmatamento ilegal até 2030, enfrentando os desafios do avanço agrícola e do garimpo ilegal.



