Formações naturais com até 6 metros de profundidade encantam visitantes na Cachoeira do Mutum, a 175 km de Manaus
No coração da floresta amazônica, o Rio Mutum esconde um fenômeno geológico que intriga e encanta: mais de 10 buracos escavados ao longo de milhões de anos pela força da água formam verdadeiras “banheiras” naturais. O local, que integra a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Adão e Eva, se tornou um dos atrativos mais procurados de Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas.
As formações, conhecidas como marmitas ou panelas pela geologia, têm em média dois metros de diâmetro e até 6,3 metros de profundidade. Segundo a pesquisadora Isabela Apoema, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), os buracos começaram a se formar há cerca de 5 milhões de anos, com o movimento circular das águas e a ação de grãos de areia presos nas cavidades.
“O processo é natural, mas pode levar milhares de anos. A profundidade e o diâmetro vão aumentando aos poucos, dependendo do fluxo do rio e do material dentro das cavidades”, explica Apoema. Ela alerta, no entanto, que os banhistas devem evitar mergulhos profundos devido à possibilidade de formação de vórtices — redemoinhos causados pela rotação da água.
O acesso ao local exige um trajeto de seis quilômetros em estrada de terra, a partir do km 54 da rodovia AM-240. A propriedade fica aberta todos os dias, das 8h às 18h, com entrada a R$ 20 por pessoa. O melhor período para visitação é entre agosto e setembro, durante o “verão amazônico”, quando o nível do rio baixa e revela com mais clareza as formações rochosas.
Além dos buracos, os visitantes podem aproveitar uma queda d’água de seis metros e trilhas em meio à floresta, sempre com recomendação de acompanhamento por guias. Uma pequena praia também surge na seca, completando o cenário paradisíaco.
Apesar da beleza, o local não está livre de riscos. A pesquisadora lembra que a ação humana, como o descarte irregular de lixo, pode comprometer a conservação da área. A Secretaria de Meio Ambiente de Presidente Figueiredo promete iniciar ações de fiscalização e educação ambiental nos próximos meses.
“É gratificante trabalhar com a floresta e oferecer essa beleza para tantas pessoas”, afirma o gerente do local, Nilson Marques. Ele conta que a cachoeira recebe visitantes do Brasil e do exterior, especialmente aos fins de semana. “Muitos vêm sem nem imaginar o que vão encontrar, e saem encantados.”
Fonte: Rede Amazônica



