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Celebração conduzida por dom Odilo Scherer lembrou o legado de humanidade, fé e justiça do pontífice argentino

Milhares de fiéis lotaram a Catedral da Sé, no centro de São Paulo, na tarde desta segunda-feira (21), para se despedir simbolicamente do papa Francisco, que faleceu pela manhã. A missa de homenagem teve início ao meio-dia e foi celebrada pelo cardeal dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo. No altar, ao lado de flores, uma fotografia do pontífice comoveu os presentes.

“Hoje fomos surpreendidos com a notícia do falecimento do papa Francisco. Ele escolheu um belo dia para partir: uma segunda-feira da Páscoa, quando celebramos que a morte é redimida pela vida e pela ressurreição”, disse dom Odilo ao iniciar a celebração.

Durante a homilia, o cardeal destacou o legado do papa, ressaltando sua simplicidade, coragem e humanidade. “Francisco deixou uma marca profunda na Igreja e na humanidade. Foi sempre muito humano, mesmo em sua fragilidade. Não escondeu sua condição de enfermo, nem mesmo quando internado. Ele fez questão de que a verdade sobre sua saúde fosse conhecida”, afirmou.

Dom Odilo também destacou a mensagem central do pontificado de Francisco: o cuidado com os mais frágeis e a defesa incondicional da dignidade humana. “O papa nos ensinou que não podemos descartar ninguém. Pobres, idosos, migrantes, refugiados, crianças indesejadas, todos são filhos de Deus. E quanto mais sofrem, mais atenção e carinho merecem”, declarou.

Comoção entre os fiéis

Entre os fiéis presentes, o sentimento era de dor e gratidão. Em pé, aguardando o início da missa, Elza Rosa, de 74 anos, não conteve a emoção. “Está doendo muito. A gente ama muito ele. Era uma pessoa santa, muito querida. Foi um papa bom para nós, para o Brasil e para o mundo”, disse.

A humildade de Francisco também foi lembrada por Milton Moreira, 80 anos. “Ele ficou sempre ao lado dos mais necessitados. Dedicou sua vida à paz e à unidade. Foi um homem de grandeza infinita”, afirmou.

Para a consultora óptica Dina Cavallari, de 60 anos, o papa simbolizava acolhimento e inclusão. “Ele não tinha preconceito com nada. Apoiava todas as classes e respeitava as diferenças. A igreja cheia hoje mostra o quanto ele foi amado”, disse. Sobre o futuro da Igreja, Dina acrescentou: “O novo papa precisa ter um pensamento atual e seguir com a mesma empatia e compromisso.”

Legado de transformação

Em coletiva antes da missa, dom Odilo Scherer reforçou a importância do pontificado de Francisco para os rumos da Igreja. “Ele deu continuidade à prática do Concílio Vaticano II, tornando a Igreja mais missionária e aberta ao mundo. Também teve coragem de enfrentar questões morais graves, como os casos de abuso e pedofilia, criando legislações firmes para combatê-los”, afirmou.

Segundo o cardeal, Francisco também será lembrado pela descentralização do poder eclesiástico, ao escolher cardeais de regiões periféricas, promovendo maior diversidade e representatividade na Igreja. “Ele ouviu as vozes das periferias sociais, econômicas, geográficas e até internas da própria Igreja”, destacou.

A data do falecimento de Francisco, segundo dom Odilo, carrega simbolismo. “Ele morreu na segunda-feira da oitava da Páscoa, como que para afirmar que a morte foi vencida pela vida. O que ele deixa não é só um legado pastoral, mas uma profunda lição de humanidade”, concluiu.

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