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Foto: Arney Barreto/TV Tapajós
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Com 144 mil pessoas impactadas, a cheia pode se prolongar até junho e já gera reflexos no comércio e no transporte fluvial

A cheia dos rios no Amazonas já colocou 17 municípios em situação de emergência, conforme o boletim divulgado pela Defesa Civil do Estado nesta sexta-feira (9). Ao todo, 144 mil pessoas estão sendo afetadas pelo fenômeno natural, com a previsão de que a situação persista até pelo menos o mês de junho, conforme informações do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais.

O aumento nos níveis dos rios, causado pelo Inverno Amazônico e pelos efeitos remanescentes do La Niña, trouxe chuvas acima da média, exacerbando a situação nas calhas dos rios amazonenses. O pesquisador e meteorologista Leonardo Vergasta explica que a combinação desses dois fenômenos causou um volume de chuvas recorde na região desde fevereiro deste ano.

Além disso, a cheia do Rio Madeira, que já submergiu 20 quilômetros da BR-230, a Transamazônica, trouxe sérios desafios para o transporte. A rodovia, que é a única via terrestre ligando municípios como Humaitá e Apuí, foi interrompida. Os passageiros que tentam atravessar o trecho submerso enfrentam longas esperas e insegurança, utilizando pequenas embarcações que cobram R$ 100 por trecho e não oferecem coletes salva-vidas.

A dona de casa Adriana Carneiro relatou as dificuldades de se deslocar com seus filhos para a escola em Humaitá, destacando os altos custos do transporte. “R$ 180 reais só pra ir, pra voltar mais R$ 180. Isso se não tiver que pagar bagagem, porque às vezes passa do limite”, disse ela.

O impacto também é sentido no comércio, com aumento nos preços de combustíveis e gás. Gildásio da Silva Filho, comerciante local, contou sobre os reflexos da alta nos preços: “A gasolina aumentou R$ 0,30, R$ 0,40. Para nós, isso é muito. O gás subiu R$ 25 a R$ 30 por botijão.”

A situação no município de Humaitá, que já registrou a cota de 23,44 metros do Rio Madeira, ameaça alcançar a cota histórica de 25,63 metros, atingindo a Zona Rural e devastando plantações. A cheia também comprometeu a rotina escolar de cerca de 16 mil pessoas.

A previsão é que a cheia se prolongue até o fim de maio, com a situação em algumas áreas, como Apuí e o distrito de Santo Antônio do Matupi, se agravando a cada dia. A Defesa Civil continua monitorando a evolução dos níveis dos rios, enquanto a população lida com os efeitos de uma das maiores cheias dos últimos anos.

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