Medida temporária reduz tarifas e acalma mercados globais, após negociações que superaram expectativas
Estados Unidos e China anunciaram um acordo histórico para reduzir temporariamente as tarifas recíprocas, em uma tentativa de encerrar a guerra comercial que abalou mercados globais e alimentou temores de recessão. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (12), após negociações bem-sucedidas entre autoridades dos dois países em Genebra, na Suíça.
Pelo acordo, os EUA diminuirão suas tarifas sobre produtos chineses de 145% para 30%, enquanto as tarifas chinesas sobre produtos americanos cairão de 125% para 10%. As medidas têm validade de 90 dias. O entendimento gerou uma reação imediata nos mercados financeiros, com alta do dólar e recuperação nas bolsas de valores.
“Ambos os países representaram muito bem seus interesses nacionais. Ambos temos interesse em um comércio equilibrado”, afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que liderou as conversas ao lado do Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer.
O acordo foi bem recebido por analistas. Para Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, em Hong Kong, o resultado superou as expectativas. “Achei que as tarifas seriam reduzidas para algo em torno de 50%. Isso é muito positivo para as economias de ambos os países e para a economia global”, destacou.
A guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo impactou quase US$ 600 bilhões em comércio bilateral, interrompeu cadeias de suprimentos e gerou temores de estagflação. No entanto, o tom amigável e a flexibilidade demonstrada durante as negociações em Genebra sinalizam um esforço genuíno para superar as divergências.
Ainda assim, o secretário Bessent alertou que os EUA continuarão o reequilíbrio estratégico em setores como medicamentos, semicondutores e aço, onde foram identificadas vulnerabilidades na cadeia de suprimentos.
O acordo, que foi negociado em um ambiente informal — ao ar livre, sob a sombra de árvores —, trouxe uma reaproximação entre as duas potências, afastando momentaneamente o risco de um desacoplamento econômico.



