Serviço Geológico do Brasil aponta que nível do Rio Negro deve ficar abaixo da cheia de 2021, mas impacto já atinge mais de 85 mil famílias no estado
A cheia dos rios no Amazonas deve atingir o pico nas próximas semanas, mas sem previsão de que ultrapasse o recorde histórico de 2021. A projeção faz parte do 3º Alerta de Cheias da Bacia do Amazonas, divulgado nesta sexta-feira (30) pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB).
Em Manaus, a expectativa é que o nível do Rio Negro alcance 28,84 metros — abaixo da cota de inundação severa, que é de 29 metros. O recorde registrado na capital foi de 30,02 metros, na cheia de 2021. Segundo o SGB, a probabilidade de atingir esse nível histórico é de menos de 1%.
“Apesar de ser uma cheia de grande impacto, não esperamos que ela alcance os patamares extremos de anos anteriores. Em Manaus, por exemplo, a chance de atingir a cota de inundação severa é de 35%, mas sem risco de superar a máxima histórica”, explicou a pesquisadora do SGB, Jussara Cury.
Além da capital, o monitoramento hidrológico acompanha os municípios de Manacapuru, Itacoatiara e Parintins, que também devem atingir o pico da cheia nos próximos dias.
Interior já enfrenta alagamentos
Em Itacoatiara, o Rio Amazonas já ultrapassou a cota de inundação severa, que é de 14,20 metros, e deve atingir no máximo 14,45 metros. No município de Parintins, a cheia também avança, mas com baixo risco de situação severa. O nível do rio está em 8,52 metros e deve chegar a 8,58 metros no ápice.
Em Manacapuru, o Rio Solimões já alcançou 19,34 metros e deve chegar a 19,67 metros, com 65% de probabilidade de atingir a cota de inundação severa.
Mais de 85 mil famílias afetadas
De acordo com a Defesa Civil do Amazonas, a cheia já impacta diretamente 85.940 famílias, cerca de 343.748 pessoas em todo o estado. Das nove calhas de rios monitoradas, todas seguem em processo de cheia, com picos previstos até julho.
Atualmente, 29 dos 62 municípios do Amazonas estão em situação de emergência, 28 estão em alerta, três em atenção e apenas dois permanecem em normalidade. Na última terça-feira (27), o município de Tefé passou da condição de alerta para emergência.
Entre os municípios mais afetados está Anamã, na calha do Solimões, onde 70% do território está alagado. Segundo a Defesa Civil local, mais de 1,7 mil famílias estão sendo diretamente impactadas, tanto na sede quanto na zona rural.
“As principais dificuldades são as locomoções. Para quem tem canoa é possível se deslocar, mas quem não tem, enfrenta muitos transtornos para sair de casa”, relata o agricultor Leandro Ribeiro, morador da cidade.
Municípios em situação de emergência
Entre os 29 municípios que decretaram emergência estão:
Humaitá, Apuí, Manicoré, Boca do Acre, Guajará, Ipixuna, Novo Aripuanã, Benjamin Constant, Borba, Tonantins, Itamarati, Eirunepé, Atalaia do Norte, Careiro, Santo Antônio do Içá, Amaturá, Juruá, Japurá, São Paulo de Olivença, Jutaí, Careiro da Várzea, Maraã, Anamã, Carauari, Fonte Boa, Itapiranga, Nova Olinda do Norte, Urucurituba e Tefé.
A Defesa Civil do estado segue monitorando a situação e prestando assistência às famílias, com distribuição de kits de ajuda humanitária, montagem de pontes e estruturas emergenciais para garantir acesso a serviços essenciais.
A expectativa é que, mesmo sem atingir os níveis recordes de 2021, os impactos da cheia continuem sendo sentidos nas próximas semanas, especialmente nas áreas ribeirinhas.



