Estado lidera redução nacional da malha aérea, enquanto projeto aprovado na Câmara tenta ampliar oferta com entrada de empresas estrangeiras
A redução de voos no Amazonas, que já concentra a maior queda prevista no país — cerca de 17,5% na malha aérea — provocou reação de lideranças políticas e reacendeu o debate sobre alternativas para o transporte na região. Em paralelo, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que pode abrir espaço para a atuação de companhias aéreas estrangeiras na Amazônia Legal.
O cenário é considerado crítico. Mais de 2 mil voos foram suspensos em todo o Brasil, reflexo direto da alta de 54% no preço do querosene de aviação (QAV) registrada em abril de 2026. No Amazonas, o impacto é ainda mais sensível, atingindo principalmente rotas do interior — essenciais para cidades como São Gabriel da Cachoeira, Tabatinga e Eirunepé, onde o transporte aéreo é, muitas vezes, a principal ligação com a capital.
Pressão política e risco de isolamento
A suspensão de voos por parte da Azul Linhas Aéreas, especialmente para Tabatinga, intensificou a mobilização política. Na Assembleia Legislativa do Amazonas, o deputado João Luiz cobrou providências diante do risco de isolamento de municípios do interior.
Segundo ele, há possibilidade de novas suspensões atingirem outras cidades estratégicas, ampliando o impacto sobre a população que depende do transporte aéreo para acesso a serviços básicos.
No plano federal, o senador Eduardo Braga afirmou ter acionado autoridades do governo após tomar conhecimento dos cancelamentos. Ele também criticou a atuação das companhias aéreas, apontando dificuldades recorrentes enfrentadas por moradores do interior.
Projeto tenta ampliar oferta de voos
Em meio à crise, a Câmara aprovou o Projeto de Lei 539/24, que segue agora para análise do Senado. A proposta autoriza empresas estrangeiras — mesmo sem sede no Brasil — a operar voos domésticos na Amazônia Legal, desde que a região seja origem ou destino das rotas, mediante autorização da Agência Nacional de Aviação Civil.
O relator do texto, o deputado Sidney Leite, defendeu a medida como resposta às dificuldades estruturais da região, marcadas por altos custos e baixa oferta de voos. Já a autora do projeto, Cristiane Lopes, afirmou que a proposta busca reduzir desigualdades históricas no acesso ao transporte aéreo.
Regras e garantias
O texto estabelece que, no caso de empresas estrangeiras, ao menos 50% da tripulação deverá ser composta por brasileiros. As companhias também terão que seguir as regras do transporte doméstico, oferecer atendimento em português e manter canais de suporte ao consumidor.
A Anac ficará responsável por autorizar as operações e fiscalizar possíveis irregularidades, incluindo questões relacionadas à concorrência.
Alternativa diante da crise
A proposta surge em um momento em que cortes de voos afetam principalmente rotas menos lucrativas — justamente aquelas que conectam regiões mais isoladas da Amazônia.
Enquanto lideranças políticas pressionam por soluções imediatas, o avanço do projeto no Congresso aponta para uma tentativa de ampliar a concorrência no setor e reduzir os impactos da crise aérea sobre o Amazonas e outros estados da região Norte.



