Mesmo com o fim da emergência, pesquisadores e autoridades defendem monitoramento de trabalhadores e moradores expostos ao gás
Apesar da retomada das atividades no Polo Industrial de Manaus após o vazamento de monômero de estireno registrado no último dia 16 de julho, especialistas alertam que as pessoas expostas ao gás devem permanecer em acompanhamento médico devido à possibilidade de efeitos à saúde a curto, médio e longo prazo.
Segundo a chefe do Setor de Farmácia Hospitalar do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV/Ufam), Sangely Mendonça, a exposição ao estireno pode provocar sintomas imediatos, como irritação das vias respiratórias, dor de cabeça, tontura, confusão mental e desconforto respiratório, além de possíveis sequelas neurológicas e respiratórias em alguns casos.
A especialista destaca que trabalhadores diretamente expostos, moradores do entorno da indústria, crianças e gestantes formam os grupos mais vulneráveis e devem receber acompanhamento clínico.
A recomendação é que o monitoramento ocorra nas primeiras 48 a 72 horas após a exposição e seja mantido entre um e três meses, com avaliações neurológicas e respiratórias. Para trabalhadores com exposição ocupacional contínua, a orientação é manter vigilância médica permanente.
Até o momento, 648 pessoas procuraram atendimento nas redes pública e privada de saúde em decorrência do incidente.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Amazonas, Valdemir Santana, defendeu o reforço da fiscalização das normas de segurança do trabalho e afirmou que a entidade solicitou aos órgãos competentes o esvaziamento dos tanques envolvidos no acidente. Segundo ele, além dos impactos físicos, o episódio também trouxe reflexos para a saúde mental dos trabalhadores.
A CUT também cobra o cumprimento da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece diretrizes para o gerenciamento de riscos ocupacionais e determina a investigação de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.
Enquanto isso, as investigações sobre o incidente continuam. O Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) realiza perícias nas instalações da empresa para identificar as causas do vazamento. O laudo não tem prazo para ser concluído.
A Polícia Civil do Amazonas também instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do acidente.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) informou que o vazamento foi contido após cinco dias de trabalho contínuo de resfriamento do tanque e que análises recentes não detectaram presença de estireno no ar, permitindo a retomada das atividades das empresas, escolas e órgãos públicos da região.
Já o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) segue monitorando a área, acompanhando a retirada do tanque, a destinação dos resíduos gerados, o tratamento dos efluentes e a avaliação dos possíveis impactos ambientais provocados pelo acidente. Caso sejam identificados danos, o órgão poderá determinar medidas de controle e recuperação ambiental previstas na legislação.



