Nova avaliação ambiental busca mapear efeitos indiretos da obra na floresta; Marina Silva alerta para consequências das mudanças climáticas
Um novo estudo sobre os impactos ambientais da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho, deve durar cerca de oito meses. A estimativa foi divulgada pelo superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Amazonas, Joel Araújo, durante o VIII Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países e Comunidades de Língua Portuguesa, realizado nesta terça-feira (22), em Manaus.
Segundo Joel, o prazo foi sinalizado pela própria ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva (Rede), como suficiente para que a Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) traga embasamento técnico sobre os impactos da pavimentação da BR-319, especialmente fora do eixo da estrada, em áreas sensíveis da floresta.
“A avaliação estratégica é diferente do EIA-RIMA. Ela busca entender os efeitos mais amplos da obra, como os impactos do desmatamento no entorno. Temos certeza de que vamos descobrir muita coisa relevante”, disse.
O superintendente alertou que Manaus poderá sentir diretamente os reflexos de um avanço descontrolado do desmatamento na área de influência da rodovia, como ocorreu nos últimos anos com o aumento das queimadas no sul do Amazonas e oeste do Pará.
“Se a pavimentação for feita sem controle, haverá mais fogo e mais fumaça. Isso já afetou Manaus em 2023 e 2024, e pode piorar”, afirmou Joel.
A nova avaliação é uma iniciativa conjunta do Ministério do Meio Ambiente com o Ministério dos Transportes, comandado por Renan Filho (MDB). Além do estudo, Marina Silva informou que será feita uma gestão territorial para destinar corretamente áreas ainda não protegidas por unidades de conservação, terras indígenas ou florestas públicas.
Licenciamento em pausa
Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha prometido viabilizar a repavimentação da BR-319, o processo de licenciamento enfrenta obstáculos. Joel Araújo explicou que, no momento, há uma decisão do Ministério Público Federal que suspende a licença prévia e impede o avanço das atividades, mesmo com os esforços do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pelo projeto.
“Estamos de mãos atadas. Não podemos avançar na análise enquanto houver bloqueio legal”, disse.
Ele também afirmou que, até agora, o governo do Amazonas não procurou o Ibama para colaborar com o novo estudo, apesar da sinalização do governador Wilson Lima (União) nesse sentido.
‘O futuro já aconteceu’, diz Marina Silva
Presente à conferência de abertura do segundo dia do congresso, a ministra Marina Silva reforçou que as consequências da crise climática já são realidade no Brasil, com eventos extremos como secas no Amazonas, incêndios no Pantanal e enchentes no Sul.
“Em 1992, falávamos com o futuro. Agora, o futuro já aconteceu. A emergência climática chegou, e a educação ambiental precisa agir com ainda mais urgência”, declarou.
Segundo ela, o encontro de educadores ambientais é um momento de “parada” para refletir e preparar ações concretas até a COP-30, que será realizada no Brasil.
O congresso segue até sexta-feira (25), quando será lida a Carta de Manaus, documento final com propostas e compromissos dos participantes em prol da educação ambiental nos países e comunidades de língua portuguesa.



