Qualidade do ar atingiu níveis críticos nos dois municípios; Parintins registrou índice péssimo, enquanto outras cidades do interior também apresentam alta concentração de poluentes.
A qualidade do ar levou à suspensão das aulas presenciais nas redes públicas de Parintins e Itacoatiara, no interior do Amazonas, nesta terça-feira (3). A medida foi adotada para proteger estudantes e profissionais da educação da exposição à fumaça e às partículas poluentes.
Em Parintins, o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registrou concentração de partículas de 176,9 microgramas por metro cúbico (µg/m³), por volta das 7h. O índice é classificado como “péssimo”.
As equipes responsáveis pelo monitoramento acompanham as condições ambientais ao longo da manhã para avaliar se as atividades presenciais poderão ser retomadas no período da tarde.
Em Itacoatiara, a suspensão também foi determinada após os indicadores apontarem níveis preocupantes de poluição. Segundo o Selva, o município registrou 53,7 µg/m³, índice classificado como “ruim”.
Poluição atinge outras cidades do interior
O monitoramento em tempo real do Selva aponta que a fumaça também compromete a qualidade do ar em outros municípios do Amazonas. Entre os registros estão:
- Barreirinha: 226,2 µg/m³;
- Parintins: 176,9 µg/m³;
- Nhamundá: 128,8 µg/m³;
- Boa Vista do Ramos: 120,2 µg/m³;
- Itapiranga: 78 µg/m³;
- Silves: 58,2 µg/m³;
- Maués: 54,3 µg/m³;
- Itacoatiara: 53,7 µg/m³;
- Urucurituba: 51,3 µg/m³.
De acordo com a escala utilizada pelo sistema, a qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas fica entre zero e 25 µg/m³. Acima desse limite, os índices passam por classificações que vão de moderada a péssima.
Estiagem afeta 146 mil famílias
Além da poluição, o Amazonas enfrenta os efeitos da estiagem. Até domingo (1º), 47 municípios estavam em situação de emergência e outros 15 permaneciam em alerta. Estimativas do governo estadual apontam que cerca de 146,4 mil famílias foram afetadas pela seca dos rios.
As ações de combate às queimadas e de enfrentamento à estiagem mobilizam cerca de 1,5 mil profissionais, entre bombeiros militares e brigadistas. As equipes contam com 18 aeronaves, sendo 16 do governo federal e duas do estadual. A estrutura inclui oito aviões Air Tractor, dois KC-390 e oito helicópteros.
O governo também contratou mais 153 brigadistas florestais por meio do programa Floresta em Pé. As medidas incluem fiscalização ambiental, monitoramento de incêndios e distribuição de veículos e equipamentos.
Como medida preventiva, o uso do fogo foi proibido por 120 dias em todo o Amazonas, com exceção das situações previstas em lei. O estado também decretou emergência por 180 dias em razão dos incêndios florestais e dos efeitos da estiagem.



