Magnilson da Silva Araújo foi encontrado debilitado, após viver um drama de fome, sede e medo na mata
Um caso impressionante de sobrevivência no coração da floresta amazônica. Magnilson da Silva Araújo, de 34 anos, foi encontrado após passar mais de 50 dias desaparecido em uma área de mata no interior do Amazonas.
O caçador sobreviveu se alimentando, principalmente, de buriti, fruto típico da região. Segundo relatos do pai dele, Edelvânio Araújo, Magnilson também precisou comer uma perema — uma espécie de tartaruga de água doce — e siris de igarapé, ambos crus, para não morrer de fome.
À noite, para fugir de animais silvestres, ele subia em árvores para dormir, mas com o agravamento do seu estado físico, chegou a cair e passou a dormir no chão.
Magnilson sumiu no dia 7 de abril, durante uma caçada na região do km 50 da rodovia AM-352, que liga Manacapuru a Novo Airão. Na ocasião, estava com outros dois comunitários, mas decidiu seguir sozinho por uma trilha diferente — desde então, não havia sido mais visto.
Nos dias seguintes ao desaparecimento, a família, com apoio do Corpo de Bombeiros, realizou uma intensa operação de buscas. Foram 11 dias de varredura em uma área de 180 km², até que as buscas foram encerradas no dia 21 de abril, sem sucesso.
De acordo com o pai, além da fome e da sede, Magnilson relatou ter sofrido alucinações auditivas e visuais. Disse que ouvia uma voz feminina que o impedia de encontrar o caminho de volta para casa.
“Ele contou que aparecia uma visão de uma mulher dizendo que ele não podia voltar e que ia ficar no mato com ela. Como se fosse um encanto da floresta”, disse Edelvânio.
Nos últimos dias antes de ser encontrado, tomado pela fraqueza e pelo desespero, Magnilson chegou a pensar em tirar a própria vida, mas não conseguiu porque havia perdido os cartuchos da espingarda que carregava.
O reencontro com a vida aconteceu na manhã da última quarta-feira (28 de maio). Debilitado e desidratado, ele apareceu próximo a uma residência no Ramal do Tumbira, cerca de 5 km do ponto onde foi visto pela última vez, e pediu ajuda.
Moradores prestaram socorro, ofereceram comida, mas ele passou mal devido à fraqueza e precisou ser levado ao Hospital Lázaro Reis, em Manacapuru, onde permanece internado em recuperação.
O local do desaparecimento fica em uma área de pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). A reportagem procurou a Polícia Civil do Amazonas para saber se haverá investigação sobre o tipo de caça praticada na região no dia do desaparecimento, e aguarda retorno.
Magnilson é o filho do meio de seis irmãos e, segundo a família, além dos danos físicos, ele ainda se recupera dos traumas psicológicos causados pelos mais de 50 dias isolado na floresta.



