Falta de arborização e excesso de asfalto e concreto intensificam o calor na capital durante o período mais seco do ano
O avanço do chamado verão amazônico tem intensificado o calor em Manaus e evidenciado diferenças de temperatura entre áreas arborizadas e regiões com maior concentração de construções. O fenômeno das ilhas de calor ocorre principalmente pela presença de asfalto, concreto, telhados e outras superfícies que absorvem e retêm a radiação solar.
Segundo especialistas, a pouca vegetação e a impermeabilização do solo reduzem o resfriamento natural da cidade e podem tornar o ambiente urbano ainda mais quente durante os períodos de estiagem.
Asfalto e concreto retêm o calor
As ilhas de calor se formam quando materiais utilizados na urbanização absorvem energia do Sol durante o dia e liberam esse calor lentamente para o ambiente.
Em Manaus, o efeito é potencializado pela combinação entre a alta incidência de radiação solar, a redução das chuvas durante o período seco e a expansão das áreas pavimentadas.
A pesquisadora Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), alerta para a necessidade de adaptar as cidades ao aumento das temperaturas.
“Para a nossa sobrevivência, a gente precisa de cidades menos quentes”, destaca.
Entre os fatores que favorecem o aquecimento estão a impermeabilização do solo, a predominância de materiais com baixa capacidade de refletir a radiação e a concentração de construções que podem dificultar a circulação do ar.
Período seco favorece temperaturas elevadas
Manaus está localizada em uma região de clima equatorial, com elevada umidade e forte incidência de radiação solar durante o ano. Durante o verão amazônico, entre julho e novembro, a redução das chuvas e da nebulosidade permite que mais radiação solar atinja diretamente a superfície.
Segundo a meteorologista Andrea Ramos, o baixo nível dos rios não provoca diretamente o aumento da temperatura. O calor está relacionado principalmente às condições atmosféricas e à menor disponibilidade de umidade no solo e na vegetação.
Quando há menos água para evaporar, uma parcela maior da energia solar é convertida em calor, elevando a temperatura próxima à superfície.
Umidade aumenta sensação de calor
A combinação entre calor e umidade também contribui para aumentar o desconforto térmico em Manaus.
Em ambientes com umidade elevada, o suor evapora com mais dificuldade. Como a evaporação é um dos principais mecanismos utilizados pelo corpo para controlar a temperatura, o organismo pode ter mais dificuldade para se resfriar.
Por isso, temperaturas de 36°C ou 37°C podem provocar uma sensação de calor ainda mais intensa, especialmente durante períodos prolongados de exposição.
Arborização ajuda a reduzir o calor
Especialistas apontam a arborização urbana como uma das principais estratégias para reduzir os efeitos das ilhas de calor.
Entre as medidas indicadas estão:
- Plantio de árvores em calçadas, quintais e canteiros;
- Criação de corredores verdes para ampliar áreas de sombra;
- Uso de materiais e pinturas claras em telhados e fachadas;
- Preservação de igarapés e fragmentos florestais dentro da área urbana.
Segundo dados citados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), áreas com arborização planejada podem apresentar redução de temperatura de cerca de 4°C em pontos mais críticos.
A pesquisadora Luciana Gatti também recomenda o uso de cores claras nas construções, especialmente nos telhados, para aumentar a reflexão da radiação solar e diminuir o aquecimento dos imóveis.
Para os especialistas, ampliar a cobertura vegetal e preservar áreas naturais são medidas importantes para tornar Manaus mais preparada para períodos de calor intenso.



