Cercada por rios e selva, a capital sem ligação terrestre com o resto do país transformou o isolamento em força econômica com a Zona Franca
Manaus, a capital brasileira isolada pela floresta, completa 356 anos nesta sexta-feira (24) como um dos maiores centros econômicos do país. Cercada pela Floresta Amazônica e pelo Rio Negro, a cidade se reinventou ao longo dos séculos e transformou o isolamento geográfico em motor de desenvolvimento, impulsionada pela Zona Franca de Manaus.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tem 11.401,02 km² de área territorial e é a sétima capital mais populosa do Brasil. Apesar de sua grandeza, possui apenas uma ligação terrestre direta, com Boa Vista (RR), pela BR-174. A ligação com o restante do país depende de rotas aéreas e fluviais, já que o trecho central da BR-319, que conecta Manaus a Porto Velho (RO), é praticamente intrafegável.
A história da cidade também é marcada por altos e baixos econômicos. Durante o ciclo da borracha, Manaus viveu o esplendor da Belle Époque, período de luxo e intensa atividade cultural. Mas, com a queda no preço da borracha, o brilho se apagou, e a capital mergulhou em décadas de estagnação.
O ressurgimento veio em 1967, com a criação da Zona Franca de Manaus (ZFM) — um modelo de livre comércio e incentivos fiscais que transformou a cidade em polo industrial e referência em desenvolvimento sustentável dentro da Amazônia.
Atualmente, 552 empresas integram o Polo Industrial de Manaus (PIM), segundo dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). O modelo, garantido pela Constituição Federal, tem validade assegurada até 2073 e oferece benefícios tributários para atrair indústrias e investimentos nacionais e estrangeiros.
Entre os principais produtos fabricados estão eletrodomésticos, motocicletas, televisores, celulares, microcomputadores e veículos. Muitos desses itens chegam aos lares brasileiros com o selo “Produzido no Polo Industrial de Manaus” — criado em 1982, ele traz a imagem de uma garça em voo, símbolo de liberdade e desenvolvimento.
Mesmo cercada pela floresta e pelos rios, Manaus continua alçando voos altos, sustentada por um modelo econômico que nasceu para integrar a Amazônia ao Brasil — e que segue como pilar da economia amazonense e símbolo da força de um povo que transformou o isolamento em oportunidade.



