Turismo

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Caprichoso e Garantido resgatam a força ancestral da floresta com as histórias de Yurupari e Tapiraiauara

No coração da Amazônia, o 58º Festival de Parintins transforma o sagrado em espetáculo, reunindo tradição, arte e resistência no Bumbódromo da ilha. De 27 a 29 de junho, os bois Caprichoso e Garantido prometem encantar o público com uma disputa marcada pela valorização da cultura indígena e das lendas que moldam o imaginário amazônico.

Entre os 21 itens avaliados pelos jurados, um dos mais aguardados é o Item 17 — Lenda Amazônica —, apresentado em cada noite da disputa. É nesse momento que as agremiações encenam, com alegorias monumentais, coreografias, toadas e figurinos, histórias tradicionais dos povos da floresta.

Neste ano, o Caprichoso traz ao centro da arena a lenda de Yurupari, o Legislador, figura mítica do Alto Rio Negro. Já o Garantido evoca a Tapiraiauara, criatura híbrida e feroz que guarda os rios amazônicos com instinto protetor.

A força de Yurupari, o Legislador

A apresentação do boi Caprichoso se inspira na história de Ceuci, jovem indígena que desrespeita um tabu ao comer a fruta sagrada do Pücã durante seu período fértil. Fecundada por Guaraci, o Sol, ela dá à luz um menino misterioso que desaparece durante o dia e só aparece à noite. Quinze anos depois, ele retorna à aldeia como um jovem belo e imponente: Yurupari.

Reconhecido como tuixaua, o líder supremo, Yurupari impõe nova ordem, restabelecendo o poder masculino numa época em que as mulheres comandavam os ritos e a política da tribo. Institui rituais rígidos, festas sagradas e um código severo de obediência, pureza e resistência. Mulheres são excluídas dos ritos sob pena de morte — inclusive sua mãe, transformada em pedra por violar as regras.

Com o tema “É Tempo de Retomada”, o Caprichoso transforma Yurupari em símbolo de sabedoria ancestral, evocando os códigos sagrados dos povos indígenas e reforçando sua ligação com os conhecimentos da floresta.

Tapiraiauara, a guardiã dos rios

Do lado vermelho da arena, o Boi Garantido revive a mítica Tapiraiauara, uma criatura formada da junção de medos, mitos e encantamentos dos povos da floresta. Com traços de anta e onça, o ser híbrido é descrito como feroz e ágil, surgindo das águas turvas para punir caçadores cruéis e invasores dos segredos da mata.

Com olhos vermelhos, cheiro fétido e força colossal, ela vira canoas, cava o chão e assombra os que violam o equilíbrio sagrado da natureza. Mas além do terror, Tapiraiauara representa a força protetora da floresta e o espírito de Tupã. Ao cantar essa lenda, o Garantido — com o tema “Boi do Povo, Boi do Povão” — reafirma o compromisso com a preservação e o respeito à Amazônia.

Festival como altar da ancestralidade

Ao levar as lendas de Yurupari e Tapiraiauara ao centro do Bumbódromo, os bois Caprichoso e Garantido transcendem o espetáculo. Reafirmam o festival como espaço de memória, resistência e expressão da cultura amazônica. A cada batida de tambor, a floresta fala — e o povo ouve.

Você também pode gostar

Editorias