Depósito irregular de resíduos em Islândia preocupa moradores de Benjamin Constant; pesquisadores detectam contaminação na água
Um lixão a céu aberto na cidade de Islândia, no Peru, está gerando preocupação em Benjamin Constant (AM), na fronteira com Peru e Colômbia. Localizado próximo ao rio Javarizinho, que deságua nos rios Javari e Solimões, o depósito recebe restos de comida, plásticos e até frascos de soro, atingindo diretamente comunidades brasileiras.
A mais próxima é o Ramal Diana, comunidade ribeirinha onde vive Marluce Rodrigues, dona de casa, que depende do rio para atividades diárias. “Eu tomo banho nessa água, lavo vasilha, lavo roupa, só não faço comida, mas o resto tudo é aí”, relata.
Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) detectaram contaminação nas águas da região. “Encontramos pH baixo, oxigênio dissolvido baixo e presença de coliformes totais e termotolerantes em todos os pontos analisados. É um risco grave à saúde pública”, alertou a pesquisadora Alcinei Pereira Lopes.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Gladson da Silva, defende ação urgente e articulação internacional. “Se a gente não fizer nada, a problemática só aumenta. Temos que buscar alternativas para melhorar essa situação”, afirmou.
O Ministério do Meio Ambiente informou que o governo peruano pediu prazo para apresentar um estudo com soluções e que o Brasil seguirá nas negociações diplomáticas. Há planos de captar recursos para construir um aterro sanitário regional em Benjamin Constant, que possa atender os municípios do Alto Solimões.
Durante a seca, o problema fica ainda mais evidente. No período da cheia, grande parte dos resíduos fica submersa, mas na vazante aparecem restos de comida, plásticos e lixo hospitalar. A situação preocupa moradores e autoridades pela ameaça ambiental e pelo risco direto à saúde das populações ribeirinhas.
*Com informações de Ruthiene Bindá, da Rede Amazônica



