Educação

Foto: Eduardo Cavalcante/ Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar
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Município alcança 108 iniciativas em 2025 e se destaca no interior do Amazonas com ações que despertam vocação científica e transformam trajetórias estudantis

A Coordenadoria Regional da Educação (CRE) de Manacapuru realizou, na sexta-feira (15), o evento oficial de abertura dos trabalhos do Programa Ciência na Escola (PCE) no município. A cerimônia marcou um feito histórico: Manacapuru alcançou 108 projetos aprovados em 2025, quase o dobro dos números registrados nos últimos três anos (54, 66 e 65, respectivamente).

O PCE é uma iniciativa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), em parceria com a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc), e tem como objetivo despertar a vocação científica nos estudantes e contribuir para a formação continuada dos professores. Os participantes recebem bolsas de incentivo: R$ 300 para alunos e R$ 800 para professores-tutores.

Mutirão pedagógico e impacto direto nas escolas

Segundo Messias Furtado, coordenador da CRE de Manacapuru, o crescimento é resultado de um trabalho intenso de assessoria acadêmica. “Temos muitos mestres e doutores em nosso quadro de profissionais, que repassam essa experiência para os docentes e discentes. Realizamos mutirões de correção e orientação nos projetos submetidos à Fapeam. O resultado é claro: quase duplicamos nossos PCEs aprovados”, destacou.

No estado, a rede pública conta com 646 projetos ativos em 2025, sendo 196 na capital e 450 nos municípios do interior. Ao todo, 1.938 alunos e 646 professores são contemplados com bolsas científicas.

Ciência que transforma vidas

Entre os destaques do evento, a pesquisa “Literatura de Autoria Indígena no Ensino Médio: Análise Literária da Obra ‘Contos indígenas brasileiros’ de Daniel Munduruku”, desenvolvida na Escola Estadual José Mota pelo professor Glauber Fernandes, chamou atenção. “Nossa escola está em uma zona periférica, e o apoio financeiro e a possibilidade de ampliar os horizontes dos alunos por meio da ciência é muito significativo. O PCE é essencial”, afirmou o docente.

A aluna Klara Antunes, de 18 anos, da EE Nossa Senhora de Nazaré, é exemplo do impacto do programa. Em seu terceiro ano consecutivo de participação, Klara já desenvolveu pesquisas sobre tijolos ecológicos feitos com resíduos plásticos, eletroquímica e avaliação do pH da água consumida nas escolas. Inspirada pelas experiências, decidiu prestar vestibular para Engenharia da Computação.

“No meu primeiro ano, eu tinha dificuldade de me expressar e entender temas de exatas. Com o tempo, tudo se tornou natural. Hoje eu sei que sou capaz de tentar o curso que desejo. O PCE me deu confiança”, compartilhou.

Calendário científico em andamento

Embora a solenidade oficial tenha ocorrido nesta sexta-feira, os 108 projetos de Manacapuru já estão em andamento desde 1º de julho. As atividades seguem até o fim de novembro, quando os bolsistas apresentarão os resultados de suas pesquisas nas próprias escolas.

Com o avanço do PCE, Manacapuru se consolida como um polo de incentivo à ciência no interior do Amazonas, mostrando que a educação pública pode ser protagonista na formação de futuros pesquisadores e profissionais qualificados.

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