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Foto: Divulgação
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Edição 2025 ocupa o bairro Lago Azul entre 21 e 25 de julho, unindo arte urbana, educação ambiental e homenagem a brigadistas

Manaus será a primeira cidade a receber a nova edição do Festival Paredes Vivas – Cinzas da Floresta, iniciativa que transforma cinzas reais de incêndios florestais em tintas para murais urbanos. Entre 21 e 25 de julho, o bairro Lago Azul, na Zona Norte, será palco de intervenções que denunciam a destruição ambiental e celebram o trabalho de brigadistas voluntários.

A programação inclui duas ações principais:

  • Empena urbana: a artista local Mia Montreal pintará, de 21 a 25 de julho, a lateral de um prédio residencial na Avenida da Felicidade, usando tintas feitas com cinzas misturadas a resina acrílica. A obra, intitulada A Altruísta, retrata a brigadista Débora Avilar, que perdeu o filho de cinco meses em decorrência da fumaça das queimadas e hoje combate o fogo voluntariamente.
  • Mural colaborativo: de 23 a 25 de julho, estudantes da Escola Estadual Eliana Socorro Pacheco Braga criarão, junto ao artista Denis L.D.O, um painel que reforça a participação da juventude na preservação ambiental.

Além disso, o festival promove:

  • 24 de julho: oficinas de arte e educação socioambiental, com exibição do curta-metragem Cinzas da Floresta (dirigido por André D’Elia) e pintura coletiva com cinzas
  • 25 de julho: visita guiada à empena urbana, com mediação de artistas e participação dos alunos

As tintas são produzidas com cinzas coletadas em 2024 por brigadistas voluntários de todo o Brasil. O material carrega a “memória do que foi destruído” e aponta caminhos para reconstrução e reflexão, conforme relata Beatriz Mansano, coordenadora-geral do projeto:
“Eu acredito que a arte urbana é uma ferramenta de transformação social e ambiental. […] A arte na rua, no muro da escola, é uma forma de comunicar e impactar diretamente quem passa por ela.”

O artista visual e educador social Valdemir do Nascimento (Cria) destaca a força simbólica da iniciativa:
“Transformar a fuligem das queimadas em tinta e criar murais que dialogam com o território é um ato de resistência. […] Levar arte para esse espaço é transformar o ar — de preferência, sem fumaça.”

A edição manauara antecipa os debates da COP30 ao reforçar a importância da Amazônia urbana e periférica na agenda climática e amplia a visibilidade de territórios muitas vezes negligenciados. O Festival Paredes Vivas, criado em 2010 pela Parede Viva, já passou por cidades como São Paulo, Belém e Fortaleza, sempre combinando arte, denúncia e resistência socioambiental.

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