Ciência e Tecnologia

Foto: Luiz Antonio Martinelli
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Pesquisa desenvolve ferramenta para rastrear a procedência da madeira e reforçar o combate ao desmatamento ilegal

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão desenvolvendo um mapa da distribuição de isótopos na madeira de árvores amazônicas para identificar a origem de produtos florestais e fortalecer o combate à extração ilegal de madeira na Amazônia.

A técnica utiliza a proporção entre diferentes formas de elementos químicos, como oxigênio, carbono, nitrogênio e estrôncio, presentes na madeira para indicar com maior precisão a região onde a árvore foi retirada. A proposta é que essas informações possam ser comparadas aos dados informados no Documento de Origem Florestal (DOF), licença obrigatória para transporte e armazenamento de produtos florestais.

O estudo é coordenado pelo professor Luiz Antonio Martinelli, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena-USP). Segundo o pesquisador, o objetivo é disponibilizar à Polícia Federal um modelo capaz de verificar se a origem declarada da madeira corresponde à sua composição química.

Uma das vantagens da metodologia é que a assinatura isotópica da madeira não pode ser adulterada, tornando a ferramenta um recurso adicional para as investigações sobre crimes ambientais.

Os pesquisadores identificaram, por exemplo, diferenças na proporção entre os isótopos oxigênio-16 e oxigênio-18 em árvores de diferentes regiões da Amazônia. Essa variação está relacionada ao deslocamento da umidade proveniente do Oceano Atlântico, que altera naturalmente a composição da água absorvida pelas plantas ao longo da floresta.

Apesar dos avanços, o método ainda apresenta limitações. Atualmente, o modelo consegue descartar cerca de 80% da área da Amazônia como possível origem da madeira analisada, mas os 20% restantes ainda representam uma área extensa, de aproximadamente 640 mil quilômetros quadrados.

Para aumentar a precisão, a equipe está ampliando a base de dados com novos elementos químicos e mais amostras. Até o momento, foram coletadas amostras de 800 árvores em 63 localidades da Amazônia.

Além do mapa isotópico, os pesquisadores também estudam a criação de um “elementalscape”, baseado na concentração de elementos químicos na madeira. A expectativa é que a combinação das duas técnicas torne mais eficiente a identificação da procedência de produtos florestais e contribua para o combate ao desmatamento ilegal.

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