Política e Economia

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Comunidade Santo Antônio acusa organização de missionários ligados à Igreja Adventista de utilizar fotos e vídeos sem autorização para pedir doações em dólares

Moradores da comunidade Santo Antônio, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro, em Novo Airão, no interior do Amazonas, acusam a ONG norte-americana Global Thinkers Now de usar fotos e vídeos de ribeirinhos sem autorização para arrecadar recursos no exterior. Segundo os comunitários, o dinheiro obtido por meio de pedidos de doações na internet, feitos em dólares, não é revertido para beneficiar a região.

A organização, mantida pelo casal Beatriz Augusta e Robert Ritzenthaler — ela brasileira e ele norte-americano —, teria divulgado imagens de moradores e do próprio local como parte de campanhas internacionais. A vice-presidente da comunidade, Marineuza Miranda Pontes, relatou que descobriu sua foto e a de outros ribeirinhos circulando online. “A gente se sentiu lesado. O que a gente queria era que os comunitários também fizessem parte disso, que se desenvolvessem junto com eles”, afirmou.

Os moradores afirmam ainda que passaram a sofrer ameaças e intimidações de seguranças contratados pela ONG. O conflito, segundo eles, começou em 2015, quando a comunidade doou um terreno de 5 mil m² para a construção de uma casa de apoio, com a promessa de benefícios aos ribeirinhos. No entanto, no local teriam sido erguidas casas de alto padrão, com materiais e mão de obra trazidos de fora, além de áreas desmatadas.

A Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas (Sema) multou a ONG em quase R$ 60 mil e interditou as construções em junho deste ano, após constatar degradação ambiental. “Foi lavrado termo de embargo e interdição, com prazo para defesa da organização”, explicou o secretário Eduardo Taveira.

O impasse chegou à Justiça depois que a comunidade tentou revogar a doação do terreno. A ONG acionou o Judiciário, obtendo liminar que proíbe qualquer intervenção na área, sob pena de multa diária de R$ 200. A Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) assumiu a representação dos moradores, alegando que a RDS é uma área pública e não pode ser destinada a uso e moradia de pessoas que não sejam comunidades tradicionais.

Até a última atualização desta reportagem, os responsáveis pela Global Thinkers Now não haviam se manifestado sobre as acusações.

Você também pode gostar

Editorias