Aumento da população em situação de rua e ausência de políticas públicas agravam deterioração urbana e afastam investimentos
Enquanto capitais como São Paulo e Salvador avançam em programas de requalificação urbana e acolhimento social, Manaus segue na contramão. No Centro da cidade, o aumento da população em situação de rua e a ausência de ações efetivas por parte da Prefeitura têm gerado crescente preocupação entre moradores, comerciantes e entidades do setor produtivo.
O alerta ganhou novos contornos no último domingo (20), com a morte de um homem em situação de rua, encontrado preso às grades da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios. A vítima era conhecida na região e, segundo relatos, teria tentado furtar fios de energia antes de morrer.
Para quem vive ou trabalha no entorno, o episódio escancara o abandono da região central. Entidades como CDL Manaus, ACA e Fecomércio-AM relatam sucessivas tentativas frustradas de diálogo com o poder público. As reivindicações incluem segurança, requalificação urbana e acolhimento social — mas as respostas têm sido consideradas limitadas.
A área mais crítica, segundo comerciantes, é o entorno da Praça dos Remédios e Relógio Municipal, onde a ocupação irregular de calçadas e praças se tornou constante. Em fevereiro, a prefeitura contabilizou 1.672 pessoas vivendo nas ruas. A estimativa, hoje, é que esse número seja ainda maior.
“O que se vê é um Centro degradado, esvaziado e ignorado. Aqui, hoje, já não se vive. Se sobrevive”, escreveu o morador João Carlos, em carta pública que viralizou nas redes sociais. Ele criticou a ausência da assistência social no local: “No chão da realidade, no concreto das calçadas, ninguém age. Ninguém acolhe.”
Além dos impactos sociais e comerciais, o mercado imobiliário também sente os efeitos do abandono. Corretores relatam queda no interesse de investidores, dificuldades para alugar e desvalorização dos imóveis históricos. Moradores temem que o Centro — antes símbolo da identidade manauara — siga perdendo sua relevância cultural, econômica e simbólica.



