Trânsito e Transporte

Foto: Reprodução
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Buscas continuam e embarcação começou a ser retirada do rio para ajudar nas investigações

O naufrágio da lancha Lima de Abreu XV completa um mês nesta sexta-feira (13) e cinco pessoas continuam desaparecidas. A embarcação afundou com cerca de 80 passageiros a bordo durante viagem entre Manaus e Nova Olinda do Norte, no Amazonas.

O acidente ocorreu nas proximidades do Encontro das Águas, região onde os rios Rio Negro e Rio Solimões se encontram.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), 71 passageiros foram resgatados sem ferimentos graves logo após o acidente. Sete pessoas chegaram a ser consideradas desaparecidas, mas duas foram localizadas durante as buscas, enquanto outras cinco seguem desaparecidas.

Buscas seguem e embarcação começou a ser retirada

As buscas continuam por tempo indeterminado. As equipes já percorreram 238 quilômetros pelo Rio Amazonas durante as operações.

Atualmente participam da operação 21 militares, incluindo 12 mergulhadores e duas embarcações, além do uso de drones e sonar para varredura do leito do rio.

Nesta quinta-feira (12), os bombeiros iniciaram o resgate da própria embarcação, etapa considerada importante para ajudar a esclarecer as circunstâncias do acidente.

Familiares das vítimas acompanharam a operação reunidos no Porto da Ceasa, aguardando informações sobre a recuperação da lancha e possíveis pistas que ajudem a localizar os desaparecidos.

Histórias de sobrevivência e desaparecidos

Entre os passageiros desaparecidos estão Apoliana e o marido Romualdo de Almeida. Segundo familiares, Apoliana salvou o filho de apenas um ano de idade ao entregar o próprio colete salva-vidas à criança momentos antes de desaparecer.

“Ela disse para o filho: ‘Pega o colete, se salva’, e depois desapareceu”, relatou a parente Núbia Lima da Silva.

O casal e outros passageiros viajavam para Nova Olinda do Norte para comemorar o aniversário de 80 anos de Almeida, durante o feriado de Carnaval.

Vítimas confirmadas

Até o momento, três mortes foram confirmadas:

  • Samila de Souza, de 3 anos
  • Lara Bianca, de 22 anos
  • Fernando Grandêz, de 39 anos

Samila chegou a ser levada ao Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste, mas já estava sem vida. Ela retornava para Urucurituba, onde a lancha faria parada.

Lara Bianca era natural de Nova Olinda do Norte e estudava odontologia em Manaus. Já Fernando Grandêz era cantor gospel e participava de eventos religiosos na capital.

Piloto segue foragido

O piloto da embarcação, Pedro José da Silva Gama, de 42 anos, chegou a ser detido após o resgate e levado ao 1º Distrito Integrado de Polícia de Manaus. Após a confirmação das mortes, foi encaminhado à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros do Amazonas, mas acabou liberado após pagar fiança.

No dia seguinte ao acidente, a juíza Eliane Gurgel do Amaral Pinto determinou a prisão preventiva do piloto para garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal. Desde então, ele não foi localizado e permanece foragido.

Familiares das vítimas criticam a situação. Segundo relatos, alguns passageiros chegaram a alertar o piloto para reduzir a velocidade por causa do banzeiro, ondas fortes comuns na região do Encontro das Águas, mas o pedido não teria sido atendido.

A empresa Lima de Abreu Navegações, responsável pela lancha, informou em nota que lamenta o ocorrido, afirmou que a embarcação estava regularizada e com documentação em dia e declarou estar colaborando com as investigações.

A expectativa das autoridades é que a retirada da embarcação do rio ajude a esclarecer as causas do naufrágio e traga respostas às famílias das vítimas.

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