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Foto: Divulgação
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Iniciativa em Iranduba amplia presença feminina na construção de embarcações na Amazônia

Nos estaleiros da Amazônia são construídas balsas e embarcações responsáveis por transportar pessoas, combustíveis, alimentos e mercadorias pelos rios — principais vias de deslocamento na região. Tradicionalmente dominada por homens, a atividade começa a registrar maior participação feminina, impulsionada por programas de qualificação profissional.

Criado pelo Estaleiro Juruá, em Iranduba, na região metropolitana de Manaus, um programa de capacitação em soldagem tem ampliado a presença de mulheres na construção naval na Amazônia. Desde 2024, a iniciativa já formou 287 mulheres, abrindo novas oportunidades de trabalho em um setor estratégico para o transporte hidroviário.

O curso prepara soldadoras nas técnicas MIG/MAG e eletrodo revestido. A capacitação tem 70 horas de duração, com aulas teóricas e práticas realizadas ao longo de cerca de 20 dias úteis, além de certificação ao final da formação. Atualmente, outras 61 mulheres participam de novas turmas.

Inserção no mercado de trabalho

Além da qualificação profissional, o programa também tem impacto direto no mercado de trabalho. Hoje, 210 participantes já foram contratadas pelo estaleiro, representando 27% do quadro de soldadores da empresa.

A iniciativa surgiu para enfrentar um desafio do setor naval na região: a escassez de mão de obra qualificada.

Segundo a diretora de operações do estaleiro, Déborah Camely, a primeira turma exclusiva para mulheres superou as expectativas.

“O setor naval vive hoje um verdadeiro apagão de mão de obra qualificada. A adesão à primeira turma foi uma grata surpresa. Muitas participantes estavam tendo ali sua primeira experiência de trabalho formal, o que gerou um forte senso de pertencimento e compromisso com o trabalho”, afirmou.

Ela destaca ainda que a iniciativa ajuda a ampliar a presença feminina em áreas técnicas da indústria naval e fortalece a cadeia produtiva do transporte aquaviário na região.

Transformação de vida

Para muitas participantes, a capacitação representa uma oportunidade concreta de mudança de vida. É o caso da soldadora Jacira da Silva Pacheco, de 45 anos.

“Cheguei ao estaleiro como auxiliar de cozinha, em um momento de necessidade. Quando surgiu a oportunidade do curso de solda, agarrei com toda a força”, contou.

Mãe de seis filhos, Jacira afirma que a nova profissão trouxe independência financeira e novas perspectivas para a família.

“Hoje sou independente, construí minha casa e conquistei meus bens graças a essa oportunidade. Ver uma embarcação pronta, sabendo que meu trabalho está ali, unindo cada peça de aço, é uma emoção indescritível”, disse.

A experiência também inspirou outros membros da família. Uma das filhas seguiu o mesmo caminho e hoje também trabalha como soldadora no estaleiro.

Setor estratégico na Amazônia

A presença feminina tem crescido gradualmente em áreas ligadas ao transporte aquaviário e à indústria naval no Brasil. Iniciativas de qualificação têm ampliado o acesso de mulheres a atividades técnicas e industriais, contribuindo para reduzir desigualdades históricas no mercado de trabalho.

Na Amazônia, onde os rios são as principais rotas de transporte de pessoas e mercadorias, a construção e manutenção de embarcações são fundamentais para a mobilidade e o abastecimento das comunidades.

Nesse contexto, programas como o desenvolvido pelo Estaleiro Juruá ajudam a ampliar oportunidades de trabalho e fortalecer a cadeia produtiva do transporte hidroviário na região.

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