Mais de 525 mil pessoas já foram afetadas no Amazonas; nível do rio ainda ultrapassa a cota de inundação severa
Pela primeira vez em cerca de 250 dias, o nível do Rio Negro em Manaus apresentou queda. A medição registrada nesta quarta-feira (9) marcou 29,03 metros, dois centímetros a menos que no dia anterior, segundo a Defesa Civil do Amazonas. Apesar da diminuição, o nível continua acima da cota de inundação severa, que é de 29 metros.
A cheia de 2025 já afeta mais de 525 mil pessoas em todo o estado, de acordo com boletim divulgado na terça-feira (8). Entre os impactos estão alagamentos, perdas na produção agrícola e dificuldades de locomoção, principalmente em comunidades ribeirinhas e áreas centrais de Manaus.
Primeira queda desde outubro de 2024
A subida do Rio Negro começou em 13 de outubro de 2024, após a seca histórica no estado. Desde então, o rio oscilou por algumas semanas e, a partir de novembro, passou a subir de forma ininterrupta. Nos últimos dias, o nível havia se mantido estável, até a primeira queda ser registrada nesta quarta.
Mesmo com a redução, o meteorologista Renato Senna, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), afirma que ainda não é possível considerar o início da vazante. “É preciso observar pelo menos cinco dias consecutivos de queda para confirmar a mudança no ciclo das águas”, explicou.
Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a previsão é que o rio não atinja a cota histórica de 30,02 metros, registrada em 2021.
Cheia atípica e prolongada
A superintendente do SGB, Jussara Cury, destacou que o nível elevado neste período é incomum. A cheia prolongada seria provocada por chuvas concentradas na parte norte da bacia amazônica, especialmente nas sub-bacias dos rios Negro e Branco, além da influência dos níveis ainda altos do Rio Solimões. “O Negro está represado, sem conseguir escoar”, explicou.
Classificação das cotas do Rio Negro em Manaus
🔴 Cheia recorde (2021): 30,02m
🟠 Inundação severa: 29,00m
🟡 Inundação: 27,50m
⚪ Alerta: 27,00m
Impacto no Centro de Manaus
O reflexo da cheia já pode ser visto no entorno do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, no Centro. Ruas como a Travessa Tabelião Lessa e a Rua dos Barés estão alagadas, dificultando o trânsito e o acesso de feirantes e motoristas.
“Está atrapalhando a locomoção. Para atravessar aqui, só de canoa”, ironizou Elielson Silva, que trabalha com transporte de passageiros e mercadorias na área.
Municípios em emergência
Até esta quarta-feira, 40 dos 62 municípios do Amazonas decretaram situação de emergência, principalmente em áreas das calhas dos rios Juruá, Purus, Madeira, Solimões, Negro e Amazonas. Outros 18 municípios estão em estado de alerta e quatro seguem em normalidade.
A Defesa Civil e os órgãos ambientais seguem monitorando o nível dos rios diariamente, enquanto as autoridades reforçam as ações emergenciais para atendimento às comunidades atingidas.



