Unitree G1 é usado pela FPFtech em pesquisas que envolvem inteligência artificial, robótica e teleoperação para aplicações na indústria
Um robô humanoide já circula pelos corredores da FPFtech, instituição de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação instalada no Distrito Industrial de Manaus. O equipamento é o Unitree G1, desenvolvido pela chinesa Unitree Robotics, e passou a integrar uma nova frente de pesquisas em robótica e inteligência artificial.
Mais do que fazer o robô caminhar, cumprimentar pessoas ou executar movimentos programados, os pesquisadores trabalham para desenvolver tecnologias capazes de reproduzir movimentos humanos e ensinar novas tarefas ao equipamento.
Uma das principais frentes é a teleoperação, tecnologia que permite transferir para o robô movimentos realizados por uma pessoa. Para isso, a equipe utiliza um headset de realidade virtual e sensores capazes de captar os movimentos do operador.
“Não estamos apenas controlando o robô com um joystick e fazendo ele andar e dançar. Esse não é o propósito. O nosso time está desenvolvendo teleoperação: usando o headset de realidade virtual, capturamos os movimentos das mãos e dos braços do operador humano, e o robô reproduz e aprende esses movimentos”, explica Mitsuyoshi Carvalho, engenheiro de inovação da FPFtech.
Robô aprende por imitação
A pesquisa está relacionada ao chamado aprendizado por imitação, uma das áreas estudadas no desenvolvimento de robôs humanoides.
A ideia é utilizar demonstrações realizadas por pessoas como referência para que a máquina aprenda a executar determinadas tarefas. Em vez de programar individualmente cada movimento, os pesquisadores podem ensinar o comportamento a partir de exemplos.
O processo envolve diferentes etapas, como simulação computacional, treinamento, teleoperação, aprendizado por imitação e transferência dos movimentos para o robô físico.
A simulação também permite testar comportamentos antes de executá-los no equipamento real. Assim, os pesquisadores podem realizar uma quantidade maior de experimentos sem depender exclusivamente do humanoide.
O trabalho reúne áreas como robótica, inteligência artificial, realidade virtual, visão computacional, sensores 3D, programação e integração de sistemas.
A proposta está ligada ao conceito de inteligência artificial física, em que sistemas inteligentes precisam perceber e interagir com o ambiente real. Para um robô humanoide, isso envolve desafios como equilíbrio, distância, força, obstáculos e movimentação de objetos.
Pesquisa mira aplicações na indústria
A localização da FPFtech no Distrito Industrial também aproxima a pesquisa das necessidades do Polo Industrial de Manaus.
Entre as possibilidades estudadas estão aplicações em intralogística, inspeção visual, manipulação de objetos, tarefas repetitivas, treinamento de operadores e atividades realizadas em ambientes de risco ou insalubres.
A teleoperação pode ser utilizada, por exemplo, em situações nas quais um profissional precise executar uma tarefa sem entrar diretamente em uma área considerada perigosa.
Outra possibilidade envolve o uso de sensores e sistemas de visão computacional para auxiliar o robô a identificar objetos e elementos do ambiente durante atividades de inspeção.
Ainda são possibilidades em fase de pesquisa e validação. O objetivo é testar diferentes aplicações e avaliar quais delas podem ser utilizadas futuramente em ambientes industriais.
“O foco é desenvolver e treinar o máximo possível, para que possamos programar o robô para o uso nas operações do dia a dia da indústria”, afirma Glaucio Messias, gestor de inovação da FPFtech.
Humanoide também será usado na formação de estudantes
Além da pesquisa, o Unitree G1 também deve ser utilizado em atividades educacionais da instituição.
A proposta é aproximar os estudantes de tecnologias como programação, robótica, sensores 3D, visão computacional, cinemática, sistemas embarcados e integração.
O equipamento poderá ser utilizado em projetos integradores, cursos de extensão e atividades práticas, incluindo experiências voltadas ao Ensino Médio Técnico e à formação técnica.
A ideia é que os alunos tenham contato com uma tecnologia que ainda está em processo de desenvolvimento e pesquisa.
“Nossos alunos vão aprender com aquilo que há de mais novo no mundo em robótica. Isso posiciona a FPFtech como uma instituição que ensina a tecnologia que está surgindo agora, não a de dez anos atrás”, destaca Nancy Cavalcante, gestora educacional da FPFtech.



