Tecnologia com inteligência artificial é usada em quatro laboratórios da rede municipal e analisa milhares de imagens para identificar parasitas intestinais
A Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa) apresenta, nesta semana, uma experiência de automação no diagnóstico de parasitas intestinais durante o 58º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (CBPC/ML), em Florianópolis, Santa Catarina.
O evento começou nesta terça-feira (15) e segue até sexta-feira (18). Considerado um dos principais encontros da área na América Latina, o congresso reúne especialistas brasileiros e estrangeiros para discutir novas tecnologias aplicadas ao diagnóstico laboratorial.
A experiência de Manaus será apresentada pela gerente de Apoio Diagnóstico da Semsa, Ana Paula Neves, durante uma mesa-redonda nesta quarta-feira (16). Ela vai mostrar os resultados da implantação do Diagnóstico Automatizado de Parasitos Intestinais (Dapi) na rede municipal.
Tecnologia já funciona em quatro laboratórios
O sistema está implantado nos laboratórios distritais das zonas Leste, Norte, Oeste e Sul de Manaus. A tecnologia foi adotada para modernizar a análise de exames parasitológicos, que anteriormente dependia do processamento manual e da observação microscópica convencional.
O Dapi utiliza um equipamento computadorizado para analisar amostras de fezes e identificar possíveis parasitas em milhares de imagens ampliadas das lâminas.
O sistema também permite registrar imagens dos organismos identificados, que podem ser incorporadas aos laudos emitidos pelos laboratórios.
A rede de apoio diagnóstico da Semsa realiza atualmente cerca de 17 mil exames parasitológicos por mês.
Em um dos laboratórios, entre agosto de 2024 e junho de 2026, foram processados 58.190 exames. Desse total, 13.297 tiveram resultado positivo, o equivalente a uma taxa de positividade de 22,5%.
Para a Semsa, a automação também contribui para a padronização dos processos em uma rede que trabalha com um grande volume de exames.
Inteligência artificial não substitui profissionais
Durante a apresentação, Ana Paula também deve abordar como a inteligência artificial pode ser incorporada à rotina dos laboratórios públicos sem substituir a atuação dos profissionais.
O sistema auxilia na identificação dos parasitas, mas a análise e a interpretação dos resultados continuam dependendo do conhecimento técnico da equipe.
“A tecnologia não substitui o conhecimento do profissional, ela amplia a capacidade de utilizá-lo”, afirma a gerente.
Segundo ela, a experiência de Manaus mostra a importância de combinar tecnologia, processos e profissionais para ampliar a capacidade de atendimento da rede pública.
Congresso debate avanços na área
O 58º CBPC/ML tem como tema central “Novas fronteiras do diagnóstico em tempos de IA”.
A programação aborda inteligência artificial, medicina de precisão, automação, novos biomarcadores e outras tecnologias aplicadas à medicina laboratorial.
Ao longo dos quatro dias, o congresso terá conferências, mesas-redondas, workshops, apresentação de casos clínicos, pôsteres científicos e exposição técnico-científica.
O evento é promovido pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML).



