Cerâmicas, ossos e terra preta indígena foram identificados por pesquisadores do Iphan em área que pode estar entre as mais antigas já registradas no Amazonas
A seca do Rio Amazonas voltou a expor um sítio arqueológico na zona rural de Urucurituba, no interior do estado. O local, situado às margens do rio, na vila Augusto Montenegro, é conhecido pelos moradores há mais de uma década, mas nunca havia passado por uma investigação técnica. Com a queda do nível das águas, artefatos voltaram a aparecer, chamando a atenção das autoridades municipais.
Nesta quarta-feira (12), uma equipe do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) esteve no local para a primeira visita oficial. Os pesquisadores identificaram fragmentos de cerâmica, material ósseo e vértebras de fauna aquática — possivelmente de golfinho ou boto — indicando que povos ancestrais viveram ali por longos períodos.
Segundo o arqueólogo Marco Túlio, do Iphan Amazonas, o sítio é pré-colonial e pode estar entre os mais antigos já registrados no estado. “Além das cerâmicas e fragmentos, encontramos material ósseo, vértebras de fauna aquática. Essas peças bem preservadas indicam que o local foi ocupado por muito tempo, e que essas populações viviam basicamente da fauna aquática”, explicou.
Os pesquisadores também identificaram terra preta indígena, um dos solos mais férteis da Amazônia, formado pelo acúmulo de matéria orgânica e resíduos produzidos por comunidades humanas ao longo dos séculos. Esse tipo de solo é considerado um dos principais indícios da presença e permanência de povos originários antes da chegada dos colonizadores europeus.
Para o secretário municipal de Cultura, Maick Soares, a descoberta reforça o valor da memória histórica de Urucurituba. “Eles localizaram artefatos, cerâmicas e ossos não só humanos, mas também de vida aquática. É um trabalho que permite resgatar a história dos povos que viveram aqui e valorizar a cultura e a memória da nossa região”, afirmou.
Os materiais recolhidos serão analisados e devem integrar o acervo histórico do município. A prefeitura estuda abrir o local para visitação monitorada e promover atividades educativas com escolas e universidades, ampliando o acesso da população ao patrimônio arqueológico revelado pela seca.



