Se denúncia for aceita, número de réus sobe para 21; acusados faziam parte de núcleo de desinformação e ataques à democracia
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar, nesta terça-feira (6), mais sete denunciados por participação em uma trama golpista para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder após a derrota nas eleições de 2022.
Os acusados integram o núcleo 4 da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que aponta envolvimento direto desses militares e aliados na produção e disseminação de fake news, ataques ao sistema eleitoral e tentativas de coação contra o então comandante do Exército, general Freire Gomes.
Segundo a subprocuradora-geral da República, Cláudia Sampaio Marques, o grupo operava de forma coordenada para desacreditar as urnas eletrônicas, instigar a instabilidade social e pressionar militares a aderirem ao golpe. Parte das ações também envolveu o uso indevido de recursos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Os sete denunciados são acusados de cinco crimes:
Organização criminosa armada;
Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
Golpe de Estado;
Dano qualificado pela violência;
Deterioração de patrimônio tombado com grave ameaça.
Entre os denunciados estão cinco militares da reserva, um policial federal e um engenheiro. São eles:
Ailton Gonçalves Moraes Barros
Ângelo Martins Denicoli
Giancarlo Gomes Rodrigues
Guilherme Marques de Almeida
Reginaldo Vieira de Abreu
Marcelo Araújo Bormevet
Carlos Cesar Moretzsohn Rocha
Se a maioria dos ministros aceitar a denúncia, os acusados se tornam réus e passam a responder a ação penal no STF. As defesas poderão apresentar provas e testemunhas.
Este é o terceiro núcleo analisado pela Corte. Outros 14 denunciados já viraram réus nos julgamentos dos núcleos 1 e 2, incluindo o próprio Jair Bolsonaro e ex-generais do governo. A análise do núcleo 3, com outros 12 acusados, está marcada para o dia 20 de maio.
Ao todo, a denúncia da PGR tem como alvo 34 pessoas, e foi dividida em seis núcleos para facilitar a tramitação no STF.



