Ciência e Tecnologia

Foto: Luis Paulo Dutra
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

No Dia da Amazônia, árvore sagrada para povos indígenas e fundamental para a ciência se reafirma como símbolo de resistência diante das ameaças do desmatamento e das queimadas

No coração da Amazônia, uma árvore ergue-se acima do dossel da floresta como guardiã da vida. A sumaúma (Ceiba pentandra), conhecida como a “rainha da floresta”, pode ultrapassar 60 metros de altura e chegar a três metros de diâmetro no tronco. Para os povos indígenas, ela conecta o céu à terra, abriga espíritos e preserva a memória dos ancestrais. Para a ciência, é um dos pilares da conservação e peça-chave contra as mudanças climáticas.

Em Manaus, exemplares da espécie podem ser observados no Parque Estadual Sumaúma — atualmente fechado para visitação — e no Museu da Amazônia (Musa), na Zona Leste da cidade.

Mais do que imponente, a árvore exerce funções vitais para o equilíbrio ambiental. Segundo a botânica Marta Regina Pereira, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a sumaúma é um verdadeiro cofre de carbono. “Durante o crescimento e a vida adulta, a planta retira grandes quantidades de CO₂ do meio para o processo de fotossíntese. Esse carbono fica armazenado no caule, nas raízes e no solo. É uma grande poupança de CO₂”, explicou.

A contribuição também se reflete no ciclo das chuvas. A copa libera diariamente toneladas de vapor d’água por meio da evapotranspiração, alimentando os chamados “rios voadores” que distribuem umidade para toda a América do Sul. “Mais importante do que a evaporação dos rios é a evapotranspiração das árvores na Amazônia. Árvores como a sumaúma mantêm o clima úmido e provocam chuvas até em outras regiões do planeta”, acrescenta Marta.

Além de estocar carbono e gerar chuva, a sumaúma favorece a regeneração natural. Suas sementes envoltas em fibras semelhantes ao algodão viajam com o vento, mantendo a umidade e protegendo o solo. A sombra, as folhas e a ciclagem de nutrientes criam condições ideais para o crescimento de outras espécies.

A árvore também é refúgio de vida: abriga aves como araras e tucanos, mamíferos como macacos e morcegos, além de atrair polinizadores que garantem o equilíbrio da floresta.

Mas esse símbolo de resistência enfrenta ameaças crescentes. O desmatamento, as queimadas e a exploração madeireira fragilizam até mesmo indivíduos centenários. “Ela precisa de folhas e frutos caídos ao seu redor para manter a matéria orgânica no solo. Quando o entorno é desmatado, a árvore enfraquece e pode até morrer. O fogo também mata principalmente as mudas e plantas jovens”, alertou a pesquisadora.

A sobrevivência da sumaúma exige não apenas políticas públicas, mas o compromisso de toda a sociedade em proteger a floresta. No Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro, a árvore se reafirma como um símbolo de vida, resistência e esperança para o futuro.

Fonte: g1

Você também pode gostar

Editorias