Política e Economia

Foto: Samuel Corum/Getty Images
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Medida anunciada por Donald Trump preocupa setores nacionais, mas efeito sobre o Polo Industrial do Amazonas é considerado irrelevante

A decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, válida a partir de 1º de agosto de 2025, gerou reações políticas e econômicas em todo o país. No entanto, no Amazonas, autoridades e representantes do setor produtivo avaliam que o impacto sobre a Zona Franca de Manaus (ZFM) será praticamente nulo.

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), apenas 0,15% do faturamento da ZFM está sujeito à nova taxação americana. Em 2024, as exportações do estado para os EUA somaram R$ 99 milhões, enquanto as importações chegaram a R$ 1,4 bilhão, evidenciando uma balança comercial amplamente deficitária.

“Compramos muito mais do que vendemos. Essa imposição de tarifa refletirá muito pouco na ZFM, porque as exportações são equivalentes a zero vírgula qualquer coisa do faturamento do Polo Industrial de Manaus”, afirmou o secretário Serafim Corrêa.

O superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, reforçou que o volume exportado aos EUA é insignificante diante do faturamento do Polo Industrial. Já o presidente da Fecomércio-AM, Aderson Frota, alertou para possíveis entraves pontuais nas relações comerciais, mas acredita que o modelo da ZFM, baseado em importações e produção para o mercado interno, deve se manter estável.

Monitoramento e possíveis efeitos indiretos

Apesar do impacto direto limitado, o Governo do Amazonas informou que continuará monitorando os desdobramentos da medida. A Secretaria da Fazenda (Sefaz-AM) alerta para possíveis efeitos no câmbio, como a desvalorização do real frente ao dólar, o que pode encarecer insumos importados e afetar a competitividade das indústrias locais.

Contexto da tarifa e carta de Trump

A tarifa foi anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump, que justificou a medida com base em alegações políticas e comerciais. Em carta enviada ao governo brasileiro, Trump criticou o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e acusou o Brasil de censura e práticas comerciais desleais. Ele também determinou a abertura de uma investigação da Seção 301 sobre o Brasil.

A carta afirma que os 50% de tarifa são uma resposta à “relação comercial injusta” e que o Brasil poderá evitar a taxação se empresas brasileiras decidirem fabricar produtos nos EUA. Trump também sinalizou que a tarifa poderá ser ajustada, dependendo do relacionamento comercial entre os países.

Você também pode gostar

Editorias