Ciência e Tecnologia

Foto: Agência FAPESP
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Estudo utiliza escaneamento em 3D e inteligência computacional para indicar podas mais seguras e fortalecer árvores contra ventos fortes

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma técnica inédita que utiliza a tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging) para avaliar a saúde estrutural de árvores urbanas e indicar podas mais precisas, com o objetivo de reduzir o risco de quedas durante temporais.

O estudo, publicado na revista científica Trees: Structure and Function, combina escaneamento a laser, modelagem tridimensional e simulações computacionais para identificar quais galhos devem ser removidos a fim de melhorar o equilíbrio da árvore e aumentar sua resistência aos ventos.

A tecnologia funciona por meio da criação de uma “nuvem de pontos”, um modelo digital em três dimensões formado por milhões de coordenadas que reproduzem com precisão a estrutura da planta. A partir dessa réplica virtual, um algoritmo baseado em otimização topológica simula a ação do vento e identifica as regiões mais vulneráveis da árvore.

Com essas informações, o sistema calcula quais galhos podem ser podados para redistribuir as tensões estruturais sem comprometer a saúde da planta. Segundo os pesquisadores, a remoção indicada pelo algoritmo não ultrapassa 20% da estrutura da árvore.

A pesquisa foi motivada pelo aumento de quedas de árvores em áreas urbanas. Em dezembro de 2025, ventos superiores a 90 km/h provocaram mais de 1.300 ocorrências na Região Metropolitana de São Paulo, deixando milhões de pessoas sem energia elétrica. Novos episódios de ventania registrados neste ano reforçaram a necessidade de aperfeiçoar o manejo da arborização urbana.

Para desenvolver a metodologia, a equipe escaneou uma tipuana localizada no campus da USP, gerando um modelo digital com cerca de 30 milhões de pontos. Em seguida, foram realizadas simulações para avaliar como diferentes direções de vento afetam a estabilidade da árvore.

Os testes mostraram que podas realizadas sem critérios técnicos podem aumentar a vulnerabilidade das árvores, principalmente quando provocam desequilíbrio na distribuição dos galhos.

Além do LiDAR, os pesquisadores também utilizam outras tecnologias para avaliar a saúde das árvores. Entre elas estão georradar, capaz de mapear o sistema radicular, penetrômetros para medir a resistência da madeira e equipamentos de ultrassom que ajudam a identificar cavidades internas nos troncos.

O grupo também investiga fatores como a influência da água, da temperatura e da expansão da madeira sobre o risco de queda, além de buscar marcadores bioquímicos que possam indicar precocemente sinais de fragilidade em diferentes espécies.

Segundo os pesquisadores, o objetivo não é substituir o trabalho dos profissionais responsáveis pela arborização urbana, mas oferecer uma ferramenta capaz de orientar decisões técnicas e tornar as podas mais eficientes e seguras.

A tecnologia já está sendo utilizada em um projeto da Prefeitura de São Paulo para o mapeamento das aproximadamente 650 mil árvores existentes nas ruas da capital paulista. Atualmente, o LiDAR é empregado para monitoramento e catalogação da arborização, mas a expectativa da equipe é que, no futuro, também seja incorporado ao planejamento das podas e à prevenção de acidentes.

Você também pode gostar

Editorias