Educação

Foto: Divulgação
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Projeto iniciado em Tefé deve ser ampliado para todas as unidades da universidade até o início do próximo ano

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) planeja institucionalizar um projeto de acolhimento para filhos de estudantes e servidores durante o período de aulas. A iniciativa, que já funciona na unidade de Tefé, deve ser ampliada para outras unidades da universidade em todo o estado até o início do próximo ano.

A proposta ganha destaque em um momento em que o debate sobre permanência acadêmica e inclusão avança nas instituições de ensino superior. Nesta semana, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) anunciou que será a primeira do Norte do país a contar com uma Cuidoteca, espaço destinado a filhos de alunos, servidores e terceirizados, por meio de um programa federal. Na UEA, no entanto, iniciativas semelhantes já ocorrem desde 2023, ainda de forma pontual, como projetos vinculados a unidades acadêmicas.

Em Parintins, por exemplo, funciona um espaço de berçário voltado ao atendimento de mães com bebês de 0 a 3 anos. A idealizadora do projeto, a professora Monica Araújo, explica que o local atua como um suporte essencial para as estudantes.

“Esse espaço tem berço, computador, sofá de amamentação. Quando elas vão fazer prova, tem uma bolsista que cuida das crianças para que elas consigam realizar a avaliação. Mas as crianças não ficam lá o tempo todo”, explicou.

Sala de acolhimento em Tefé

Já na unidade de Tefé, o projeto possui um formato mais amplo. O espaço atende crianças de 3 a 12 anos, oferecendo atividades lúdicas enquanto estudantes ou servidores participam das aulas. O atendimento ocorre nos três turnos.

“Em Tefé, o espaço desenvolve diversas atividades brincantes. As crianças ficam no espaço nos três turnos. Pela manhã, à tarde e à noite, sempre com duas bolsistas e colaboradores da prefeitura”, detalhou Monica Araújo.

Segundo a professora, o principal objetivo da iniciativa é evitar que crianças fiquem em situação de vulnerabilidade por falta de um local seguro enquanto pais ou responsáveis estão em aula.

“Criamos isso para evitar que as crianças fiquem vulneráveis ou acabem ficando em sala de aula, o que pode atrapalhar o desenvolvimento da aula. Em Tefé, no final do ano, uma criança morreu queimada porque os pais saíram para estudar e não tinham com quem deixar os filhos. Houve um incêndio na casa. Duas conseguiram fugir, mas uma não”, relatou.

Expansão para todo o estado

A intenção da UEA é transformar a iniciativa em política institucional, garantindo que todas as unidades contem com estruturas semelhantes. Para Monica Araújo, o projeto beneficia não apenas as mulheres, mas todas as famílias.

“Esse projeto não apoia apenas as mulheres, mas também os pais. Temos estudantes homens que cuidam das crianças. Sem esse espaço, elas ficam vulneráveis, seja em casa ou na rua, expostas a riscos como violência e abuso”, destacou.

A professora informou que a universidade já trabalha para ampliar a proposta. “A gente está trabalhando para estender o projeto para todas as unidades. A expectativa é que ele esteja implementado em todas até o início do ano que vem, no máximo”, afirmou.

Impacto na permanência acadêmica

Para a ativista pelos direitos das mulheres Francy Júnior, a criação de espaços de acolhimento infantil contribui diretamente para a redução da evasão acadêmica, especialmente entre mulheres mães.

“As mulheres ainda assumem majoritariamente as responsabilidades de cuidado. Um espaço sociopedagógico permite que estudantes, professoras e técnicas permaneçam e concluam seus cursos, reduzindo trancamentos e abandonos motivados pela maternidade”, avaliou.

Ela destaca que a medida promove equidade de gênero dentro das universidades. “Ao reconhecer que a maternidade impacta de forma desigual homens e mulheres, a universidade assume um papel ativo no enfrentamento dessas desigualdades e rompe com a lógica de que a maternidade é um problema individual da mulher”, afirmou.

Francy Júnior defende que iniciativas como essa se tornem regra. “Os espaços sociopedagógicos infantis não são apenas serviços de apoio, mas ferramentas de justiça social. Torná-los uma política institucional representa um avanço civilizatório”, concluiu.

Apesar de reconhecer o avanço no ensino superior, a ativista avalia que a proposta poderia inspirar políticas também na educação básica. “Seria um passo importante para que as secretarias de educação pensem na realidade das alunas mães do ensino de base”, completou.

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