Estudo mostra alto índice de solidariedade, mas também aponta falta de preparação da população diante de eventos climáticos extremos
Oito em cada dez brasileiros com mais de 16 anos já fizeram algum tipo de ação para ajudar vítimas de desastres naturais. É o que aponta uma pesquisa realizada pela empresa Nexus, a pedido do Movimento União BR, divulgada nesta terça-feira (27).
O levantamento revela também que um quarto da população já vivenciou, ou conhece alguém que enfrentou, eventos climáticos extremos. Foram ouvidas mais de 2 mil pessoas em todo o país, entre os dias 29 de abril e 5 de maio deste ano.
A forma mais comum de ajudar é por meio de doações. Entre os itens mais doados estão roupas e sapatos (68%), água e alimentos (58%), dinheiro (37%) e medicamentos (27%). Além disso, 21% dos entrevistados já atuaram como voluntários em situações de emergência.
O estudo também aponta que a solidariedade costuma ter foco local. Metade dos brasileiros prefere ajudar causas da própria cidade ou região, enquanto 28% destinam a ajuda para ações de alcance nacional.
Na hora de escolher para onde vai a doação, as igrejas e instituições religiosas aparecem como as mais confiáveis para 46% dos entrevistados, seguidas pelo Corpo de Bombeiros e Defesa Civil (44%) e pelas ONGs (32%).
Mesmo diante do aumento dos desastres, a pesquisa mostra que falta preparo: 77% dos brasileiros nunca tomaram nenhuma medida de proteção, como reforçar a casa, estocar alimentos ou montar um kit de emergência. E metade da população sequer sabe onde buscar informações sobre como agir em caso de tragédias.
De acordo com os dados, 42,2 milhões de pessoas no Brasil já foram afetadas por desastres naturais. As enchentes e alagamentos são os mais frequentes, citados por 68% dos que já sofreram algum tipo de impacto. Na sequência aparecem tempestades (7%), deslizamentos (6%), queimadas (5%) e seca (2%).
Quando o assunto é a atuação dos governos na prevenção, 42% avaliam de forma negativa — 26% dizem que é pouco efetiva e 16% consideram nada efetiva. Apenas 7% acreditam que as ações são muito eficientes.
Para o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, os dados revelam uma preocupação crescente. “O levantamento mostra uma parcela muito expressiva da população afetada por desastres, com pouca preparação, mas que, por outro lado, tem um grau elevado de solidariedade e disposição para ajudar”, afirmou.



