História de Anaiara Ribeiro e do filho João se conecta a dados inéditos do Mapa do Autismo no Brasil, que revelam perfil das cuidadoras e avanços no diagnóstico precoce
A advogada Anaiara Ribeiro, de 43 anos, emocionou-se ao acompanhar o filho João, de 18, na chegada à faculdade de jornalismo em Brasília. O sonho do jovem se tornou também o da mãe, que decidiu se matricular no mesmo curso para compartilhar a experiência acadêmica.
Diagnosticado com autismo leve a moderado apenas aos 8 anos, João já apresentava sinais desde a infância. A mãe, que buscava consultas desde os dois anos de idade do filho, pediu demissão do emprego formal para trabalhar como autônoma e dedicar-se integralmente ao cuidado. “Nada faria sentido se não fosse para ver a felicidade dele, e o seu crescimento, ver onde ele já chegou hoje”, afirma.
A trajetória de Anaiara reflete a realidade de muitas famílias brasileiras. Segundo o Mapa do Autismo no Brasil, levantamento inédito do Instituto Autismos com mais de 23 mil respostas, a maioria dos cuidadores são mulheres, muitas delas fora do mercado de trabalho.
Pesquisa inédita
Os dados completos serão divulgados em 9 de abril, mas já apontam:
- Média de diagnóstico no Brasil: 4 anos, alinhada a padrões internacionais.
- Custos familiares: mais de R$ 1 mil mensais em terapias, muitas vezes via planos de saúde.
- Diferenças regionais: famílias do Norte e Nordeste dependem mais do sistema público.
Sistema público de saúde
O governo federal anunciou investimento de R$ 83 milhões para ampliar a assistência a pessoas com TEA no SUS, incluindo habilitação de 59 novos serviços como Centros Especializados em Reabilitação (CER), oficinas ortopédicas e transporte adaptado.
Direitos e inclusão
O diagnóstico precoce amplia o acesso a direitos como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e políticas de inclusão em educação, saúde e lazer. João, por exemplo, já usufrui de benefícios em espaços culturais, onde pessoas com autismo têm entrada gratuita e acompanhantes pagam meia.
Após o divórcio, Anaiara reconstruiu a vida e se casou novamente. “Sou uma exceção. A maioria das mães que eu conheço continuam solteiras ou separadas. Os pais abandonaram, seja fisicamente e financeiramente, mas eu tive a sorte de encontrar um parceiro que assumiu a paternidade do João. Somos muito felizes”, relata.



