Documento reúne propostas em energia, bioeconomia, saúde e agricultura sustentável para colocar a região no centro das soluções contra as mudanças climáticas
Pesquisadores da Amazônia entregaram, nesta quarta-feira (20), uma carta estratégica ao presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e à primeira-dama Janja da Silva. O documento foi apresentado durante encontro na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em Manaus, com a presença de mais de 200 representantes de instituições acadêmicas, centros de pesquisa e sociedade civil.
Elaborada por mais de 70 entidades, a carta traz soluções adaptadas à realidade amazônica e reforça a necessidade de investimentos estruturantes em ciência, tecnologia e inovação. “A floresta viva é a floresta viva com os povos da floresta. Queremos desenvolver programas e pesquisas científicas que levem dignidade entre as florestas”, afirmou Janja.
O encontro, apoiado pela Presidência da República, buscou alinhar a vasta produção de conhecimento da região com os 30 objetivos da Agenda de Ação da COP30, que será realizada em 2025, em Belém (PA). “Pela primeira vez, não é o mundo falando da Amazônia, é a Amazônia falando com o mundo”, destacou Márcio Macêdo, ministro da Secretaria-Geral da Presidência.
A carta aponta que a Amazônia Legal possui 405 instituições de ensino e mais de 655 cursos de pós-graduação, formando cerca de 100 mil profissionais por ano. No entanto, muitos encontram dificuldades para atuar em áreas ligadas à sustentabilidade, o que reforça a urgência de alinhar educação, inovação e políticas públicas.
As propostas foram organizadas em seis eixos: transição energética, gestão de florestas e biodiversidade, transformação da agricultura, resiliência urbana e hídrica, desenvolvimento humano e objetivos transversais como bioeconomia, financiamento climático e inovação. Entre as soluções estão projetos de energia solar e hidrogênio verde para comunidades isoladas, programas de restauração florestal, sistemas agroflorestais, mobilidade sustentável e adaptação dos sistemas de saúde às mudanças climáticas.
O texto também aponta desafios como a falta de orçamento, entraves legais e pouca valorização dos saberes tradicionais. Como resposta, defende investimentos contínuos em ciência e tecnologia, modernização de laboratórios, apoio à bioeconomia e cooperação internacional.
“A ciência amazônica está pronta para acelerar a implementação do Acordo de Paris e garantir justiça climática para as populações da floresta, das águas e das cidades”, conclui o documento.



