Dados do Inpe mostram ocorrências em 23 municípios do estado; pesquisadores apontam diferentes áreas como possíveis origens da fumaça
O Amazonas registrou 582 focos de calor até as 15h desta quarta-feira (9), segundo dados do satélite GOES-19, divulgados pelo Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No mesmo dia, Manaus voltou a amanhecer encoberta por fumaça, pelo segundo dia consecutivo.
Os registros estão espalhados por diferentes áreas do estado e também foram identificados em estados vizinhos. No entanto, os dados de satélite, isoladamente, não permitem apontar um único local como origem da fumaça que chegou à capital.
Pesquisadores e órgãos ambientais citam diferentes possibilidades para explicar a presença da fumaça em Manaus.
Apuí e Lábrea concentram mais focos
Entre os municípios amazonenses, Apuí lidera com 117 focos, seguido por Lábrea, com 101. Na sequência aparecem Autazes (61), Novo Aripuanã (51), Careiro da Várzea (46), Manacapuru (38), Itacoatiara (34), Borba (30), Humaitá (27) e Caapiranga (25).
Esses dez municípios concentram 510 dos 582 focos registrados no estado, o equivalente a 87,6% do total.
Manaus aparece com dois focos no levantamento.
É importante destacar que foco de calor é um ponto identificado pelo satélite com temperatura acima das áreas próximas e que pode indicar uma queimada. Um mesmo incêndio pode gerar mais de um registro, e outras fontes de calor também podem ser detectadas.
De onde vem a fumaça?
Segundo o pesquisador Rodrigo Augusto Ferreira de Souza, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a fumaça que atingiu Manaus está fortemente relacionada às queimadas na Região Metropolitana.
A Defesa Civil do Amazonas também informou que foram identificados focos em Manaus, incluindo áreas do Coroado e do Conjunto Canaranas, além de ocorrências em municípios da Região Metropolitana e regiões próximas.
Já a Prefeitura de Manaus considera que parte da fumaça também pode ter sido transportada de áreas de queimadas no Sul do Amazonas, Norte de Mato Grosso e Rondônia.
Segundo a administração municipal, a circulação dos ventos em baixos níveis da atmosfera favoreceu o deslocamento do material particulado para a capital. A mudança estaria relacionada ao avanço de uma frente fria pelo Centro-Sul do país.
Estados vizinhos também registram queimadas
Os dados do Inpe mostram que os focos não estão concentrados apenas no Amazonas.
Nesta quarta-feira, o Pará registrou 942 focos de calor, enquanto Rondônia teve 186, Mato Grosso, 106, Acre, 36, e Roraima, 19.
Somados aos registros do Amazonas, os seis estados contabilizaram 1.871 focos de calor no levantamento.
A direção e a velocidade dos ventos, a intensidade das queimadas e as condições atmosféricas precisam ser consideradas para determinar a possível trajetória das plumas de fumaça.
Saúde recomenda reduzir exposição
A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) orienta a população a reduzir a exposição à fumaça enquanto a qualidade do ar estiver prejudicada.
A recomendação é evitar atividades físicas e a permanência prolongada em áreas externas. Sempre que possível, moradores devem permanecer em ambientes fechados, manter portas e janelas fechadas nos períodos de maior concentração de fumaça e utilizar máscaras adequadas.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares devem ter atenção redobrada.
Em caso de falta de ar, chiado no peito, tosse persistente, dor ou aperto no peito, tontura ou mal-estar, a orientação é procurar uma unidade de saúde. Em situações de emergência, o Samu pode ser acionado pelo 192.



