Política e Economia

Foto: Daniel Brandão
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Inadimplência empresarial bate recorde no país; juros altos e crédito restrito pressionam pequenas e médias empresas

O estado do Amazonas registrou, em julho, 124,7 mil empresas negativadas, segundo o Indicador de Inadimplência da Serasa Experian, ocupando a 16ª colocação no ranking nacional. No Norte, o Pará lidera com 187 mil negócios inadimplentes, seguido pelo próprio Amazonas. Ao todo, a região somou 480 mil empresas com compromissos vencidos e não pagos.

O levantamento mostra que o volume de dívidas negativadas no Amazonas chegou a R$ 2,4 bilhões, atrás apenas do Pará, que acumula R$ 4,3 bilhões. A média de pendências por CNPJ no estado foi de 5,6 dívidas, igual à registrada em Roraima. Tocantins lidera nesse quesito, com 7,8 dívidas por empresa.

📉 Cenário nacional
Em todo o país, a inadimplência empresarial bateu recorde pelo sétimo mês consecutivo, alcançando 8 milhões de CNPJs negativados em julho. Isso representa um aumento de 200 mil negócios desde junho e de 1,1 milhão em relação a julho de 2024. O ticket médio das dívidas também atingiu o maior valor da série histórica: R$ 3.302,30, com média de 7,3 dívidas por empreendimento. No total, as dívidas somam R$ 193,40 bilhões.

Segundo a economista da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o ambiente de juros elevados e a concessão de crédito mais criteriosa têm dificultado a renegociação de dívidas, especialmente para pequenas e médias empresas, que representam 7,6 milhões dos 8 milhões de CNPJs inadimplentes e concentram R$ 174,1 bilhões em dívidas.

🏢 Setores mais afetados
O setor de Serviços lidera em número de empresas negativadas, com 54,1% do total, seguido por Comércio (33,7%) e Indústria (8%). A maioria das dívidas foi inadimplida no segmento de Serviços (31,8%), seguido por Bancos e Cartões (19,8%).

📊 Taxa de juros e projeções econômicas
O Boletim Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira, manteve pela 13ª semana consecutiva a projeção da taxa Selic em 15% ao ano. Para 2026 e 2027, a expectativa é de queda para 12,25% e 10,50%, respectivamente. A decisão do Copom foi justificada pela incerteza do cenário externo, especialmente em relação à política econômica dos Estados Unidos, e pela inflação ainda acima da meta.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou durante evento em São Paulo que acredita em uma queda consistente e sustentável da Selic em breve. Segundo ele, os indicadores econômicos apontam para uma melhora significativa a partir de 2026, com impacto positivo na atividade econômica e no custo do crédito.

Enquanto isso, o ambiente de juros altos continua a pressionar os negócios, dificultando a recuperação financeira das empresas e ampliando os desafios para o setor produtivo, especialmente nas regiões mais afetadas pela inadimplência.

Você também pode gostar

Editorias