Apesar de pronto, empreendimento de R$ 200 milhões ainda não recebe resíduos de Manaus e foi alvo de questionamentos ambientais
Com investimentos de aproximadamente R$ 200 milhões, o novo aterro sanitário construído pela Marquise, na BR-174, promete transformar resíduos em energia e água para reuso industrial. Segundo a empresa, a estrutura tem capacidade para produzir biometano suficiente para abastecer 170 mil casas, além de purificar 250 mil litros de água por dia.
A expectativa, de acordo com a Marquise, é que a produção de biometano comece em três anos, após o início da operação com recebimento dos resíduos.
Apesar do potencial, o aterro foi alvo de embargo pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) no ano passado, por riscos ambientais, como possível assoreamento do Igarapé do Leão. Entretanto, em 2024, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) autorizou a operação, sob a condição de monitoramento da fauna e do entorno.
Durante visita técnica realizada nesta terça-feira (20), que contou com representantes da Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), o presidente da Marquise, Hugo Nery, destacou que o projeto pode ser uma vitrine de sustentabilidade para a COP-30, que ocorrerá em 2025, em Belém.
“A COP-30 é uma oportunidade de dar visibilidade à estrutura de saneamento e às soluções ambientais. Manaus pode se beneficiar disso, com acesso a financiamentos específicos para esse tipo de atividade”, disse Nery.
O presidente também afirmou que mantém diálogo com a Prefeitura de Manaus para que o aterro passe a receber os resíduos da cidade, o que só deve acontecer após 2028, quando encerra o contrato atual do município com o aterro controlado da cidade.
Riscos ambientais e questionamentos
O projeto foi alvo de críticas por sua proximidade com o Igarapé do Leão. Segundo a empresa, quando o terreno foi adquirido, a área já estava degradada pela extração ilegal de areia e, com o empreendimento, passou por recuperação ambiental.
“Nós resgatamos a vegetação da área e estabilizamos o terreno, que antes estava escorregando e assoreando o igarapé”, explicou Thiago Levy, diretor comercial da Marquise.
Sobre possíveis riscos de contaminação, a empresa afirma que o aterro conta com tecnologia de última geração, incluindo sistemas de impermeabilização, controle de chorume, águas pluviais e monitoramento constante do subsolo e do entorno.
A água resultante do tratamento do chorume passará por um processo de osmose reversa, tornando-se desmineralizada e própria para uso industrial, o que pode beneficiar empresas da Zona Franca de Manaus.
Licenciamento e futuro da operação
Apesar de já ter obtido licenças do Ipaam, o aterro ainda não recebe resíduos de Manaus. A Marquise reforça que busca ampliar sua atuação na cidade, não apenas com transporte de lixo, mas também com o processamento dos resíduos, agregando valor ambiental e energético.
“Acreditamos que esse projeto vai muito além de destinar resíduos. Ele gera energia limpa, promove economia circular e oferece soluções ambientais alinhadas com os desafios climáticos atuais”, completou Nery.



