Mais de 400 casos de doenças gastrointestinais registrados em duas semanas
A cheia dos rios no Amazonas não apenas desloca comunidades e afeta a economia, mas também agrava problemas de saúde pública. No município de Benjamin Constant, na região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, o contato com água contaminada já provocou mais de 400 casos de doenças gastrointestinais nos primeiros 15 dias de maio, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
O número praticamente iguala as notificações registradas em todo o mês de abril (420 casos), demonstrando o impacto severo das inundações.
Benjamin Constant está entre os 20 municípios em situação de emergência devido à cheia dos rios e também faz parte da lista dos oito municípios que entraram em emergência na área da saúde.
Com aproximadamente 21 mil pessoas afetadas diretamente, o avanço da água compromete o abastecimento de água potável e a higiene das residências, aumentando o risco de infecções e doenças gastrointestinais, sobretudo entre crianças, idosos e pessoas vulneráveis.
Casos como o de Luna Monalisa, de seis anos, e Christopher Lomas, de quatro anos, demonstram o sofrimento das famílias atingidas. As crianças apresentaram fortes dores abdominais, diarreia e vômito, sintomas comuns da contaminação.
A pesquisadora Geise Canalez, da Universidade Federal do Amazonas, alerta que análises realizadas no município mostram altos índices de coliformes fecais em vários pontos do rio Javari, comprometendo a potabilidade da água:
“O contato com essa água, seja no banho ou na ingestão, pode causar contaminação e afetar diretamente a saúde humana”, explicou.
Para tentar minimizar os impactos, agentes de saúde estão distribuindo medicamentos e hipoclorito de sódio nas comunidades, orientando os moradores sobre formas de purificação da água para consumo e higiene.
“Evitar muitas doenças, matar os micróbios na água, para não dar diarreia, não adoecer e garantir uma água tratada”, explicou um agente de saúde.
A cheia no estado do Amazonas já atinge mais de 209 mil pessoas, segundo o Painel de Monitoramento Hidrometeorológico da Defesa Civil, divulgado no último sábado (17).
De acordo com o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, o processo de cheia deve continuar até junho, aumentando ainda mais o risco sanitário e os desafios enfrentados pelas populações afetadas.
Diante desse cenário, a atenção às condições de saúde e a implementação de medidas eficazes de prevenção tornam-se fundamentais para reduzir os impactos da crise.
Fonte: g1



