Trimestre encerrado em abril registra taxa de 6,6%, a menor em 12 anos. Informalidade também recua e rendimento médio sobe para R$ 3.426, o maior da série histórica
O mercado de trabalho brasileiro vive um dos melhores momentos da última década. A taxa de desemprego caiu para 6,6% no trimestre encerrado em abril, segundo dados da PNAD Contínua do IBGE, divulgados nesta quarta-feira (29). Este é o menor índice para o período desde 2012, quando a pesquisa começou a ser realizada.
Há um ano, no mesmo período, a taxa era de 7,5%. A sequência de quedas nas comparações anuais já dura 46 trimestres, desde julho de 2021.
Além da queda no desemprego, outro dado positivo é o rendimento médio do trabalhador, que atingiu R$ 3.426, o maior valor registrado para um trimestre encerrado em abril e também o maior da série histórica em qualquer outro trimestre comparável.
Informalidade também recua
A taxa de informalidade ficou em 37,9%, abaixo dos 38,7% registrados no mesmo trimestre do ano passado. Isso representa 39,2 milhões de trabalhadores informais, dentro de um total de 103,3 milhões de pessoas ocupadas no país.
A queda da informalidade foi puxada principalmente pelo crescimento dos empregos formais. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado cresceu 0,8% no trimestre e 3,8% no ano, segundo o IBGE.
“O mercado de trabalho está absorvendo mão de obra e segue forte, resiliente, mantendo a população ocupada e melhorando a qualidade, com os empregos formais sendo os que mais crescem”, explica William Kratochwill, pesquisador do IBGE.
Setores que mais geraram empregos
Na comparação anual, cinco setores se destacaram na geração de empregos:
- Indústria geral (+3,6%)
- Comércio e reparação de veículos (+3,7%)
- Transporte, armazenagem e correio (+4,5%)
- Informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias e administrativas (+3,4%)
- Administração pública, saúde, educação e serviços sociais (+4%)
O único setor que apresentou retração foi o de agricultura, pecuária, pesca e aquicultura, com queda de 4,3% no número de ocupações.
Subutilização e desalento também diminuem
A população subutilizada — que inclui desempregados, pessoas que trabalham menos do que gostariam e aquelas que poderiam trabalhar mais — ficou em 18 milhões, uma queda de 10,7% em relação ao ano anterior.
A taxa de subutilização foi de 15,4%, estável no trimestre, mas bem menor que os 17,4% registrados no ano passado.
O número de desalentados — pessoas que desistiram de procurar emprego — também caiu para 3,1 milhões, uma redução de 11,3% no ano.
Perspectivas
Os dados indicam que o mercado de trabalho brasileiro continua em trajetória positiva, com mais pessoas empregadas, aumento da formalização e salários em alta. O desafio, segundo analistas, é manter esse ritmo diante das incertezas econômicas globais e das oscilações internas.



