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Foto: Agência Brasil
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Obra “Ciência da Primeira Infância” mostra como renda, raça e escolaridade moldam o futuro das crianças brasileiras desde a gestação

As desigualdades no Brasil começam antes mesmo do nascimento. Fatores como renda, classe social, raça, escolaridade dos pais e local de moradia impactam diretamente o desenvolvimento das crianças desde a gestação. Essa é uma das principais conclusões do livro “Ciência da Primeira Infância”, que será lançado neste domingo (26), às 16h, na sede do Insper, em São Paulo.

Organizado pelo economista Naercio Menezes Filho, professor do Insper e pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisa Aplicada à Primeira Infância (CPAPI), o livro reúne estudos de diversos especialistas e traz um alerta: as chances de ascensão social no Brasil são extremamente baixas para quem nasce nas famílias mais pobres.

“O livro mostra que a primeira infância — da gestação até os seis anos — é decisiva na formação das pessoas. É um período de rápido desenvolvimento cerebral. Se não houver estímulo, boa alimentação e ambiente saudável, o futuro dessa criança pode ser comprometido”, explica Menezes Filho.

Os dados são contundentes. Apenas 2,5% das crianças nascidas entre os 20% mais pobres conseguem chegar ao topo da pirâmide de renda — um índice três vezes menor que nos Estados Unidos. O cenário é ainda mais difícil para crianças negras e indígenas, que enfrentam maiores barreiras, desde o acesso à educação de qualidade até a presença constante do racismo estrutural.

O livro também mostra que o desemprego dos pais tem impacto direto no desenvolvimento infantil. A perda do trabalho reduz quase pela metade a renda da família em dois anos e leva ao aumento da evasão escolar, do trabalho infantil e até da criminalidade. Estudos citados na obra revelam que o nascimento de um filho pode elevar em até 30% a atividade criminosa do pai, seis anos após o nascimento, principalmente por motivos econômicos.

Outro dado alarmante é o impacto do estresse tóxico, causado por violência, racismo e pobreza, no desenvolvimento das crianças. Essa exposição constante afeta o cérebro em formação e pode gerar consequências graves, como maior risco de doenças na vida adulta, incluindo diabetes, obesidade e problemas cardíacos.

“A pobreza é a causa das causas. Por isso, precisamos de políticas públicas integradas, que combinem transferência de renda, acesso à educação, alimentação saudável, saúde e combate ao racismo. Só assim vamos quebrar esse ciclo que atravessa gerações”, defende Menezes Filho.

A obra recebeu apoio da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, da FAPESP e reúne, pela primeira vez no país, uma análise multidisciplinar sobre os impactos da primeira infância no desenvolvimento humano e na redução das desigualdades sociais.

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