Ciência e Tecnologia

Foto: Idam/Divulgação
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Pesquisa da UFPA mapeia genoma do pirarucu e do filhote para combater exploração predatória e fortalecer a piscicultura sustentável

O pirarucu e o filhote, dois dos peixes mais emblemáticos da Amazônia e altamente valorizados pela gastronomia, tiveram seus genomas totalmente decifrados em um estudo inédito conduzido pela Universidade Federal do Pará (UFPA). A pesquisa marca um avanço científico relevante ao oferecer ferramentas para a conservação das espécies e para o desenvolvimento de uma piscicultura mais sustentável na região.

Segundo o pesquisador Sidney Santos, líder do estudo no Laboratório de Genética Humana e Médica do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA, o trabalho foi motivado pelo crescimento da exploração predatória impulsionada pela alta demanda comercial. “Ao conhecer profundamente o genoma dessas espécies, é possível produzir peixes de forma sustentável, reduzindo a pressão sobre os estoques naturais”, explica.

Para chegar aos resultados, os cientistas analisaram amostras biológicas de mais de 100 indivíduos de cada espécie. O sequenciamento permitiu identificar a ordem dos nucleotídeos do DNA, formando um “manual genético” completo, com informações sobre reprodução, saúde, ancestralidade e características fisiológicas.

Além de apoiar a piscicultura, o mapeamento genético permite rastrear a origem dos peixes, diferenciando exemplares criados legalmente daqueles retirados ilegalmente da natureza. De acordo com o pesquisador Igor Hamoy, da Universidade Federal Rural da Amazônia, o genoma funciona como uma espécie de identidade biológica. “É possível identificar se um pirarucu vendido no exterior teve origem na Amazônia e se foi explorado de forma regular”, afirma.

Os dados gerados pelo estudo foram incorporados a um banco genético público, o que amplia as possibilidades de novas pesquisas e fortalece políticas de controle e fiscalização. Os avanços também ajudaram a enfrentar entraves históricos da piscicultura, como a indução hormonal para reprodução, a formulação de dietas adequadas e o monitoramento genético das espécies.

Para a secretária nacional de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Rita Mesquita, pesquisas desse tipo são fundamentais para orientar políticas públicas. “A genética contribui para compreender melhor a biodiversidade brasileira e para planejar ações de conservação, restauração ambiental e manejo sustentável”, destacou.

Apesar do avanço tecnológico e da redução dos custos de sequenciamento nos últimos anos, os pesquisadores alertam para os desafios na Amazônia, onde a logística e o financiamento ainda encarecem as pesquisas. Mesmo assim, o estudo consolida a região como um polo estratégico de produção científica e reforça o papel da ciência na proteção da maior biodiversidade do planeta.

Ao decifrar o DNA do pirarucu e do filhote, a pesquisa abre caminho para uma relação mais equilibrada entre o uso econômico dos recursos naturais e a preservação dos ecossistemas amazônicos, garantindo que essas espécies continuem fazendo parte da cultura, da economia e da biodiversidade da região.

Você também pode gostar

Editorias