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Foto: Divulgação
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Uso frequente de antiácidos e protetores gástricos sem orientação médica pode atrasar o diagnóstico de problemas mais graves, como infecção por H. pylori e úlceras

Dor, queimação, náuseas, indigestão e desconforto abdominal estão entre os principais sintomas da gastrite, inflamação da mucosa do estômago que afeta milhões de brasileiros. Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), cerca de sete em cada dez brasileiros apresentam algum tipo da doença.

Por serem sintomas comuns, muitas pessoas recorrem à automedicação com antiácidos e protetores gástricos para aliviar o desconforto. Enquanto os antiácidos neutralizam o excesso de ácido no estômago, os protetores gástricos reduzem sua produção ou ajudam a proteger a mucosa do órgão.

Apesar de serem medicamentos de venda livre, o farmacêutico Alessandro Braga, da rede Santo Remédio, alerta que o uso frequente sem avaliação médica pode mascarar doenças e retardar o diagnóstico correto.

Segundo o especialista, a gastrite pode ter diferentes causas, como o uso prolongado de anti-inflamatórios, infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori) e outros fatores que exigem tratamentos específicos.

O alerta ganha ainda mais importância diante do hábito de automedicação no país. Pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) aponta que nove em cada dez brasileiros utilizam medicamentos sem prescrição médica. Embora essa prática seja mais comum para dores, gripes e febre, também ocorre diante de sintomas gastrointestinais.

O farmacêutico ressalta que o uso contínuo de medicamentos conhecidos como inibidores da bomba de prótons, indicados para reduzir a acidez do estômago, também exige acompanhamento profissional. Segundo ele, o consumo prolongado sem necessidade pode interferir na absorção de nutrientes e dificultar a identificação de doenças mais graves.

Especialistas orientam que alguns sintomas exigem atendimento médico imediato, como dor persistente, perda de peso sem causa aparente, vômitos com sangue, fezes escurecidas e dificuldade para engolir, por poderem indicar doenças que vão além da gastrite.

Além do tratamento adequado, mudanças de hábitos podem ajudar na prevenção da doença. Entre as recomendações estão evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, cafeína, alimentos gordurosos e muito condimentados, não fumar, reduzir o estresse, manter horários regulares para as refeições e evitar longos períodos de jejum.

Também é recomendado utilizar medicamentos, especialmente anti-inflamatórios, apenas com orientação profissional e procurar atendimento médico sempre que os sintomas forem recorrentes ou persistentes. Segundo especialistas, o diagnóstico precoce continua sendo a principal forma de evitar complicações e preservar a saúde digestiva.

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