Prefeitura suspende aulas por risco de conflito; ação da PF tem apoio da Força Nacional e decisão favorável do STJ
A cidade de Humaitá, no interior do Amazonas, viveu um dia de tensão nesta terça-feira (16) após a Prefeitura suspender aulas e paralisar serviços públicos em razão da operação da Polícia Federal contra o garimpo ilegal no Rio Madeira. A medida foi tomada diante da possibilidade de confrontos entre garimpeiros e agentes das forças de segurança.
A operação, iniciada na segunda-feira (15), tem como alvo a destruição de dragas utilizadas na mineração ilegal em Humaitá e no município vizinho de Manicoré. Até o momento, segundo atualização da PF, foram destruídas 71 dragas. Não há registro de prisões, mortos ou feridos.
A ação gerou protestos por parte dos garimpeiros, que se dizem insatisfeitos com a forma como a operação está sendo conduzida. Na segunda-feira, houve princípio de tumulto, e a polícia precisou usar bombas de efeito moral e balas de borracha para conter os manifestantes. Imagens da Rede Amazônica mostram a orla de Humaitá isolada, com presença da Força Nacional, além de destroços que seriam resultado de confrontos.
A operação faz parte dos esforços da Polícia Federal desde 2023 para combater a mineração ilegal na região. Neste ano, a ação ganhou reforço com a atuação coordenada entre diferentes forças de segurança, sob liderança do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia), com apoio do Poder Judiciário.
A ofensiva ocorre uma semana após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitar um pedido da Defensoria Pública do Amazonas para impedir o uso de explosivos na destruição das balsas. A Defensoria alegava que a prática transformava a área em uma “zona de guerra” e violava direitos fundamentais. No entanto, o ministro Francisco Falcão entendeu que não havia provas suficientes de ilegalidade ou abuso por parte da PF e do Ministério da Justiça.


