Expedição do Instituto Mamirauá revela vestígios da ocupação humana e objetos do Ciclo da Borracha; comunidades ribeirinhas e indígenas foram protagonistas na descoberta
Um grupo de pesquisadores identificou 50 sítios arqueológicos durante uma expedição científica no oeste do Amazonas, ao longo do Rio Japurá, próximo à fronteira com a Colômbia. Os achados revelam vestígios da ocupação humana na Amazônia e funcionam como uma verdadeira “linha do tempo” da história amazônica, segundo os arqueólogos.
Entre 9 de fevereiro e 2 de março, a equipe do Instituto Mamirauá percorreu cerca de 200 km do Alto Japurá, registrando gravuras rupestres, cerâmicas antigas, terra preta, fontes de matérias-primas e até objetos ligados ao Ciclo da Borracha.
A iniciativa integra uma ação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, que busca reunir dados ambientais, arqueológicos e socioculturais para orientar políticas de conservação da floresta e valorização do patrimônio histórico. Um relatório será entregue ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e os primeiros resultados já foram apresentados em oficina realizada em Manaus nos dias 19 e 20 de março.
Comunidades como protagonistas
Indígenas e ribeirinhos tiveram papel fundamental na expedição, conduzindo os pesquisadores até os sítios e compartilhando relatos sobre a ocupação da região. “Eles carregam relatos e conhecimentos que contribuem para a pesquisa. Nós somos como pontes, enquanto eles são as principais fontes desses espaços”, destacou o arqueólogo Márcio Amaral, do Instituto Mamirauá.
Além do Instituto Mamirauá e do MMA, participam da iniciativa o Field Museum of Natural History (Chicago), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e a Amazon Conservation Team (ACT).
Os achados reforçam a importância da Amazônia como território de memória e diversidade cultural, ampliando o conhecimento sobre a ocupação humana na região e fortalecendo estratégias de preservação.



