De 19 cm em outubro a 16,67 m agora, fenômeno ilustra extremos climáticos na Amazônia
Em um intervalo surpreendente de menos de seis meses, o rio Madeira passou de seu nível mais baixo já registrado para uma cheia que já afeta milhares de pessoas. Em outubro de 2024, o manancial marcava apenas 19 centímetros em Porto Velho. Nesta sexta-feira (4), as águas atingiram 16,67 metros – uma diferença de mais de 16 metros que reflete a intensidade do chamado Inverno Amazônico.
O fenômeno climático
O Inverno Amazônico, período de chuvas intensas na região Norte que coincide com o verão no Hemisfério Sul, transforma radicalmente a paisagem fluvial. O fenômeno é causado pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), sistema meteorológico formado por ventos alísios que carregam umidade para a região equatorial.
“Essas variações extremas sugerem uma aceleração do ciclo hidrológico”, alerta Marcos Suassuna, hidrólogo do Serviço Geológico do Brasil. O especialista destaca que, embora oscilações sejam naturais, a intensidade e frequência recentes preocupam.
Impactos regionais
A metamorfose do Madeira não é caso isolado:
- O rio Machado saltou de 6,04 m para 11,34 m entre dezembro e janeiro
- Em Santa Luzia D’Oeste (RO), aulas foram suspensas indefinidamente
- No Acre, o rio Acre atingiu 14 m, desalojando 31 mil pessoas em Rio Branco
- No Pará, transbordamentos do Xingu, Tocantins e Itacaiúnas isolaram comunidades
Situação no Amazonas
No estado, cinco rios já superam os níveis do ano passado, colocando 23 municípios em alerta. Apesar disso, especialistas do SGB acreditam que as cheias não baterão recordes históricos em 2025.
Enquanto isso, famílias em diversos estados amazônicos enfrentam os desafios cíclicos das águas – um drama que se repete anualmente, mas com intensidade cada vez mais imprevisível. As autoridades monitoram a situação, enquanto cientistas reforçam a necessidade de adaptação a esses novos extremos climáticos.



