Homens, mulheres, jovens e idosos enfrentam fome, insegurança e invisibilidade em marquises e praças; acolhimento municipal ainda é temporário
O Centro de Manaus concentra atualmente mais de 2.400 pessoas em situação de rua, segundo dados da Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc), que as registra no Cadastro Único como moradores de rua.
Um relatório preliminar, porém, estima em 1.310 o total de pessoas em situação de rua em todo o Amazonas, evidenciando subnotificação e desafios na contagem exata dessa população vulnerável.
Nas ruas da área central, é “comum ver homens, mulheres, jovens e idosos ocupando marquises, calçadas e praças públicas”, vivendo sob rotina de sobrevivência marcada pela fome e pela insegurança. Ainda assim, a solidariedade entre eles se destaca:
- Em dias de chuva, compartilham caixas de papelão para se protegerem coletivamente;
- Dividem restos de comida e se revezam em pontos de sombra ou abrigo improvisado.
“O que mais causa dor é o descaso da população, que muitas vezes vê essas pessoas como se não valessem nada, esquecendo que também têm família e história”, afirma o sociólogo Luiz Carlos.
Para Luiz Carlos, o acolhimento adequado não pode se resumir a oferecer abrigo ou alimento:
“A ideia de acolhimento parte da construção de um futuro, que começa aos poucos”.
A Semacc informa que mantém serviços de acolhimento e oferta, de caráter temporário e sujeitos à demanda dos próprios moradores de rua. A chefe da Divisão de Média Complexidade, Márcia Helena, ressalta:
“Temos os serviços de acolhimento onde existe interesse da população em ir para o serviço”.
Apesar das iniciativas, as ações emergenciais ainda não dão resposta ao longo prazo. Movimentos sociais e especialistas defendem que política de reintegração deve incluir educação, saúde mental, oferta de trabalho e moradia digna para romper o ciclo de invisibilidade e estigma.



