Ciência e Tecnologia

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Estação seca no Norte do Brasil causa redução das chuvas, aumento da temperatura e sensação de ar abafado na capital amazonense

Manaus já vive os primeiros dias do chamado “verão amazônico”, período caracterizado por calor intenso, ar abafado, poucas chuvas e temperaturas elevadas que se estendem entre junho e outubro. Ao contrário das regiões com quatro estações bem definidas, o Norte do Brasil possui basicamente duas fases ao longo do ano: a estação chuvosa, de novembro a abril, e a seca, que começa agora em junho, conforme explica o meteorologista Leonardo Vergasta, do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (Labclim/UEA).

Durante o verão amazônico, sistemas meteorológicos como a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e a Alta da Bolívia se afastam da região, o que provoca a diminuição das nuvens e a consequente redução das chuvas. “Essa redução da nebulosidade resulta em maior incidência de radiação solar na superfície, elevando as temperaturas com o passar dos meses”, detalha Vergasta.

Apesar do calor, o meteorologista aponta que as temperaturas em Manaus devem ficar dentro da média para o período, diferente dos recordes dos últimos anos, quando as ondas de calor foram influenciadas pelo fenômeno El Niño e pelo Atlântico Tropical Norte. A previsão do Labclim indica que a região sudeste da Bacia Amazônica — incluindo parte do Amazonas e estados vizinhos — poderá enfrentar temperaturas mais elevadas, aumentando o risco de queimadas.

A sensação de abafamento sentida por muitos moradores da capital amazonense é explicada pela combinação do calor com a alta umidade relativa do ar, que varia entre 50% e 80%. “Essa umidade alta, associada a temperaturas de até 33 °C, eleva a sensação térmica para cerca de 38 °C a 39 °C”, afirma Vergasta.

Além dos fatores naturais, o crescimento urbano desordenado de Manaus também contribui para o aumento das temperaturas locais. A substituição de áreas verdes por asfalto, prédios e materiais que absorvem mais calor intensifica o aquecimento em certas regiões da cidade.

Por fim, o meteorologista destaca que o aumento médio de cerca de 0,9 °C nas temperaturas da Bacia Amazônica em relação a 30 anos atrás está relacionado não só às mudanças climáticas globais e ao aumento dos gases do efeito estufa, mas também aos impactos do desmatamento na região.

Você também pode gostar

Editorias